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Após protestos de mulheres, Polônia recua na proibição total do aborto

11/10/2016 00:16

Iniciativa popular que previa penas de prisão para aborto foi admitida.
Presidente do Senado diz que comissão não iniciará atividade por enquanto.

Milhares de pessoas se reúnem nesta segunda-feira (3) em Varsóvia para protestar contra aprotesto-mulheres-polonia proibição total do aborto na Polônia (Foto: gencja Gazeta/Slawomir Kaminski/via REUTERS)

O vice-primeiro-ministro da Polônia, Jaroslaw Gowin, reconheceu nesta quarta-feira (5) que os protestos maciços das mulheres da última segunda-feira contra a proibição total do aborto fizeram seu partido refletir, e afirmou que o parlamento não aprovará a proibição total do aborto.

Gowin, que também é titular de Cultura, disse à “rádio Koszalin” que após as manifestações das mulheres “não será aprovado um projeto de lei que proíba o aborto nos casos em que a mulher seja vítima de estupro ou quando sua vida ou sua saúde correrem perigo”.

Uma iniciativa popular que procura a proibição total do aborto na Polônia, com cerca de 500 mil assinaturas, foi admitida a trâmite parlamentar em 23 de setembro. A iniciativa inclui penas de prisão para as mulheres que interrompessem a gravidez voluntariamente.

Iniciativa popular admitida no Congresso da Polônia que prevê a proibição total ao aborto provocou protesto de milhares de pessoas nesta segunda-feira (3) (Foto: Agencja Gazeta/Slawomir Kaminski/via REUTERS )Iniciativa popular admitida no Congresso da Polônia que prevê a proibição total ao aborto provocou protesto de milhares de pessoas nesta segunda-feira (3) (Foto: Agencja Gazeta/Slawomir Kaminski/via REUTERS )

Na última segunda-feira milhares de mulheres saíram às ruas nas principais cidades polonesas para protestar contra a possível proibição total do aborto. Coletivos feministas e pró direitos humanos tinham convocado as polonesas a uma greve geral para expressar rejeição à modificação da atual lei.

Também nesta quarta, o presidente do Senado, Stanislaw Karczewski, garantiu que “serão levados em conta os protestos de segunda-feira passada”, e informou que a comissão de trabalho sobre o projeto de lei não iniciará sua atividade por enquanto.

A legislação vigente, que data de 1993 e é considerada uma das mais restritivas da Europa, só permite a interrupção da gravidez em caso de estupro ou incesto, quando representa um risco para a saúde da mãe e quando o feto apresenta más-formações graves.

A mobilização das mulheres polonesas “nos fez pensar e foi uma lição de humildade, (…) avaliamos a importância destes protestos e a boa intenção de grande parte dos que protestaram”, explicou o vice-primeiro-ministro Gowin.

Os comentários parecem indicar que o partido governante Lei e Justiça retirou seu apoio à iniciativa popular.

www.reporteriedoferreira.com Por Ig