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Al-Jazeera lança rede ‘América’ com promessa de revolucionar jornalismo

Rede do Catar lançou nesta terça sua nova emissora nos EUA. Rede terá, diariamente, 14 horas de transmissão ao vivo.

21/08/2013 01:38

Redação da Al-Jazeera America em Nova York (Foto: Bebeto Matthews/AP)Redação da Al-Jazeera America em Nova York (Foto: Bebeto Matthews/AP)

Graças a abundantes recursos, a uma ambiciosa agenda e a um punhado de repórteres famosos, o grupo catariano Al-Jazeera lançou nesta terça-feira (20) sua nova emissora de informação nos Estados Unidos, com a promessa de revolucionar o jornalismo televisivo no país e de superar as expectativas do público americano.

A Al-Jazeera America iniciou suas transmissões a partir das 19h GMT (16h de Brasília).

Inicialmente, a Al-Jazeera America será recebida por 40 milhões de lares em todo o país, mas os planos são de expansão e de entrar na competição feroz travada pelas três grandes do jornalismo 24h nos Estados Unidos: CNN, MSNBC e Fox News. A emissora terá, diariamente, 14 horas de transmissão ao vivo, além de documentários e programas de debate e boletins de notícia de hora em hora.

A rede pretende fazer das reportagens em profundidade e de longa duração – formato pouco prestigiado pelos grandes grupos de TV nos Estados Unidos – o ponto forte de sua programação.

“Sabemos que os americanos querem receber uma cobertura em profundidade dos temas da atualidade que lhes interessam. Querem mais reportagens imparciais e menos partidarismo, exatamente o que a Al-Jazeera faz”, diz Ehab Al Shihabi, diretor-geral interino da Al-Jazeera America.

Alguns especialistas afirmam, porém que o grupo dirigido pela família real do Catar deve se preparar para uma difícil batalha para conquistar audiência em um país como os Estados Unidos, que tem uma relação complexa com o Oriente Médio. A emissora ficou conhecida por ter divulgado, no passado, mensagens da rede Al-Qaeda, ou de Osama bin Laden.

Alguns conservadores garantem que até hoje o grupo é anti-Ocidente. “A Al-Jazeera já teve um papel na radicalização de muçulmanos no exterior, com o propósito de que os americanos fossem tomados como alvo pelo terrorismo”, criticou o diretor do lobby Accuracy in Media, Cliff Kincaid.

Ehab al-Shihabi quer acreditar que, depois que o público puder conhecer realmente a programação do canal, esses preconceitos cairão por terra. “Estamos investindo grandes quantias de dinheiro em publicidade e em estratégia de marca (…) Tenho certeza de que, em pouco tempo, a Al-Jazeera será popular”, insistiu.

Grandes nomes da televisão
Para garantir o sucesso, a emissora não poupa esforços, contratando estrelas do jornalismo americano, como Soledad O’Brien e Ali Velshi, da CNN, ou Sheila MacVicar, que foi da ABC e da CNN. Ao todo, mais de 850 profissionais foram contratados para trabalhar em 12 escritórios espalhados pelo país, e 70 no mundo.

O lançamento da Al-Jazeera America acontece no âmbito da compra do canal por assinatura Current TV, co-fundado em 2005 pelo ex-vice-presidente Al Gore.

David Shuster, um dos jornalistas contratados pela nova emissora e que já trabalhou na MSNBC, aprecia a ‘enorme oportunidade’, em função da enxurrada de recursos com que conta a Al-Jazeera. Para ele, o grupo está se tornando o maior do mundo no setor.

A presidente da Al-Jazeera America, Kate O’Brian, prometeu que seu canal “evitará recorrer a comentários de especialistas e a tratar das últimas excentricidades dos famosos” para se concentrar, em contrapartida, “em tudo aquilo que merece ser coberto”.

A Al-Jazeera contará apenas com um máximo de seis minutos de publicidade por hora, comparados aos 15 da maioria dos canais.

O quartel-general da Al-Jazeera America será em Nova York, perto da Penn Station. Em Washington, Al-Jazeera ficará nos estúdios que já foram ocupados pela ABC no “Newseum”, perto da Casa Branca e do Congresso.

Joie Chen, ex-jornalista da CNN e da CBS, um outro grande nome recuperado pela Al-Jazeera, justificou sua ida para o canal pela “qualidade do trabalho realizado”. Segundo ela, “queremos relatar aquelas histórias que não contam com suficiente cobertura e falar com as comunidades mais esquecidas.”

Já o ex-apresentador da NBC John Seigenthaler vê a Al-Jazeera como um canal que “dá um pouco mais de densidade, um pouco mais de perspectiva, um pouco mais de contexto, ou seja, aquilo que se busca no jornalismo.”

G1