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STF aprova tese que pode anular sentenças da Lava Jato, mas adia aplicação

3/10/2019 22:55

Com placar de 7 a 4, o STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou hoje tese que pode levar à anulação de condenações da Lava Jato, incluindo uma contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O último ministro a votar foi o presidente do tribunal, Dias Toffoli, que, conforme já tinha adiantado na semana passada, se colocou a favor do entendimento de que réus incriminados por delatores devem ter a última palavra no processo (como fizeram outros seis ministros na semana passada).

Toffoli adiou para a sessão de amanhã o debate sobre se o STF vai impor um limite à revisão de condenações para evitar um efeito cascata na Lava Jato e em processos criminais que também tenham utilizado o depoimento de delatores Para limitar os efeitos da decisão em outros processos, Toffoli propôs que deva ser analisado nos processos em que já houve condenação se de fato a ordem das alegações finais prejudicou o réu. Além disso, o ministro propôs que o réu deve ter contestado esse ponto desde o julgamento em primeira instância.

Se essa posição conquistar maioria no Supremo, será preciso aguardar que a Justiça analise o recurso da defesa de Lula para saber se o petista será beneficiado no caso do processo do sítio em Atibaia. Essas são as duas propostas de Toffoli que serão analisadas na sessão de amanhã:

  • Só serão anuladas as condenações de processos que tiveram o depoimento de delatores com acordo de colaboração homologado pela Justiça, e se o réu que não é delator tiver contestado a ordem das alegações finais desde antes da sentença judicial na primeira instância. Só devem ser anuladas sentenças de processos em que ficar comprovado que a ordem das alegações finais dos delatores causou prejuízo à defesa dos réus que foram delatados.

Os ministros já votaram na tese geral do julgamento, sobre qual deve ser a ordem de apresentação das alegações finais e se isso pode causar a anulação do processo. Essa votação terminou com placar de 7 votos a 4, a favor de que as condenações sejam revistas se o delatado não tiver o direito de se manifestar depois do delator.

Quem votou a favor de anular sentenças em que delatado não foi ouvido após o delator – como em alguns casos da Lava Jato: Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Dias Toffoli Quem votou contra a anulação dessas sentenças: Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello.

Antes de Toffoli, o ministro Marco Aurélio votou contra a anulação e disse que esse entendimento parece “jeitinho” a favor de “tubarões da República”. Ele defendeu que a legislação não prevê prazo diferenciado de alegações finais entre delatados e delatores e que os acusados já conhecem o conteúdo da delação desde a primeira etapa do processo, com a com a apresentação da denúncia. Passa a transparecer a ideia de um movimento para dar o dito pelo não dito, em termos de responsabilidade penal, com o famoso “jeitinho brasileiro”. E o que é pior: em benefício não dos menos afortunados, mas dos chamados tubarões da República Marco Aurélio Mello, ministro do STF.

As alegações finais são a etapa anterior à sentença, quando os réus apresentam seus argumentos pela última vez. Para a maioria dos ministros, o réu delatado deve falar por último como forma de assegurar o direito à ampla defesa e ao contraditório, garantido pela Constituição. Por isso, na fase de alegações finais em processos com delações premiadas, os delatados devem apresentar suas últimas considerações depois dos delatores.

A decisão do Supremo pode fazer com que processos que não seguiram esse rito tenham a sentença anulada, retornem à fase de alegações finais e sejam submetidos a um novo julgamento. O processo que o Supremo julgou hoje é o recurso do ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira, condenado na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, em sentença do então juiz e hoje ministro da Justiça, Sergio Moro. No caso específico desse réu o placar no STF ficou em 6 votos a 5 a favor do recurso do ex-gerente da Petrobras.

Apesar de ter apoiado a tese da maioria sobre a ordem das alegações, a ministra Cármen Lúcia votou contra o recurso do ex-gerente da Petrobras. Para a ministra, só seria possível anular a condenação nesse caso se ficasse comprovado que houve prejuízo ao réu, o que, na visão da ministra, não ocorreu.

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