BESSA GRILL
Início » Nacionais » ‘Somos inocentes’, dizem médicos acusados de retirada ilegal de órgãos

‘Somos inocentes’, dizem médicos acusados de retirada ilegal de órgãos

Profissionais podem ser ouvidos durante o segundo dia das audiências. Eles são acusados de retirar os órgãos do menino Paulo Pavesi em 2000.

1/08/2013 18:47

“Somos inocentes, não matamos ninguém”, disseram, rapidamente, os médicos Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes durante o início do segundo dia das audiências de instrução e julgamento nesta quinta-feira (1º) no Fórum de Poços de Caldas (MG). Eles são acusados da remoção irregular e possível tráfico dos órgãos do menino Paulo Veronesi Pavesi, morto aos 10 anos no ano 2000.

Além deles, o médico Sérgio Poli Gaspar, que não quis falar com a imprensa, também está sendo julgado. Eles são acusados de pertencer à chamada “Máfia dos Órgãos” e de infringir o artigo 14 da Lei de Transplantes, por realizar procedimento irregular na constatação da morte encefálica da criança.

Advogados, promotor e juiz acompanham depoimentos em Poços de Caldas (Foto: Jéssica Balbino / G1)Advogados, promotor e juiz acompanham depoimentos em Poços de Caldas (Foto: Jéssica Balbino / G1)
saiba mais

  • Entenda o caso

As audiências são conduzidas pelo juiz Narciso Monteiro de Castro e a previsão é de que pelo menos 11 testemunhas de defesa e os três médicos acusados sejam ouvidos nesta quinta-feira. No primeiro dia de depoimentos, nesta quarta-feira (31), seis testemunhas de acusação foram ouvidas. Entre elas estavam enfermeiras e auxiliares de enfermagem que participaram do processo de atendimento ao garoto. Os médicos foram liberados de acompanhar os depoimentos das testemunhas, tanto de defesa quanto de acusação, mas por ordem do juiz, aguardam dentro do Fórum e devem prestar depoimento ainda nesta quinta-feira.

Outras 12 testemunhas que não residem na cidade serão ouvidas por cartas precatória e rogatória. Entre elas está Paulo Airton Pavesi, o pai do garoto, que após o caso, se sentiu ameaçado e vive hoje na Europa.

Segundo o Ministério Público, este julgamento é de apenas um dos processos que apura a morte do menino. Eles não irão a júri popular e podem já ser condenados quando testemunhas e réus forem ouvidos.

Médicos chegam para o 2º dia de audiências em Poços de Caldas (Foto: Jéssica Balbino / G1)Médicos chegam para o 2º dia de audiências em Poços de Caldas (Foto: Jéssica Balbino / G1

O caso

As investigações do caso já duram 13 anos. Na ocasião, Paulinho, como era conhecido, caiu de uma altura de 10 metros do prédio onde morava e foi levado para o pronto-socorro do Hospital Pedro Sanches. Ainda de acordo com o Ministério Público, o menino teria sido vítima de um erro médico durante uma cirurgia e depois foi levado para a Santa Casa de Poços de Caldas, onde teve os órgãos retirados por meio de um diagnóstico de morte encefálica, que supostamente teria sido forjado.

Caso veio à tona após a morte de um menino de 10 anos, Paulo Pavesi (Foto: Reprodução EPTV)Caso veio à tona após a morte de um menino de
10 anos, Paulo Pavesi (Foto: Reprodução EPTV)

Segundo a promotoria, a constatação da morte encefálica da criança foi feita de forma equivocada, o que levanta a suspeita de que o menino estivesse vivo no momento da retirada dos rins e das córneas. Outra linha de investigação é de que os órgãos retirados do garoto foram transplantados de maneira irregular. As córneas do menino foram levadas para Campinas (SP), quando deveriam ter sido transplantadas em pacientes da lista de espera de Minas Gerais, já que se trata de um procedimento regionalizado.

“Existem indícios de que não teria ocorrido a morte encefálica da criança, Temos provas de que apenas o primeiro exame foi realizado. O segundo exame apresentado não consta nem a data e nem a hora em que foi realizado. Os réus também alegam que esta constatação foi feita seguindo um protocolo, entretanto, o protocolo utilizado por eles não estava vigente na época”, destacou o promotor do caso, Daniel Ribeiro Costa.

Questionadas, as defesas dos três médicos negam as afirmações da Promotoria e reafirmam acreditar na inocência dos profissionais. “A defesa considera absurdo. A acusação contesta algo que é inequívoco, que é a declaração de morte encefálica do garoto”, disse José Arthur Kalil, advogado que defende dois dos três médicos acusados.

G1