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Prefeitos do PR abrem temporada de traições e apoiam Alckmin

9/08/2014 00:16

Mal a campanha eleitoral teve início e a temporada de traições está aberta. A imensa maioria dos prefeitos do PR de São Paulo está apoiando a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), embora o partido, oficialmente, tenha se coligado com o PT nas disputas pela Presidência da República, Senado e governo de São Paulo.

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Abr

Acordo informal teria sido fechado com sinal verde do ex-deputado Valdemar da Costa Neto, que cumpre prisão em regime semiaberto pelo escândalo do mensalão (foto de arquivo)

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Um alto dirigente da campanha tucana, que pediu para não ter o nome citado, revelou ao iGque o acordo informal foi fechado com sinal verde do ex-deputado Valdemar da Costa Neto, um dos caciques regionais do PR, que cumpre prisão em regime semiaberto, em Brasília, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do mensalão.

Valdemar, legalmente impedido de participar das atividades do partido, teria mandado o recado a Alckmin: que ele ficasse tranquilo quanto ao apoio das bases do partido, porque o entendimento com o PT nacional e estadual era pelo tempo de rádio e televisão no horário gratuito. A aliança do PR com o PT estadual garante ao ex-ministro Alexandre Padilha 1 minuto e 18 segundos no horário gratuito.

Ao formalizar o acordo com o PT, no início de julho, os mais altos dirigentes do PR paulista celebraram o pacto com abraços e tapinhas nas costas de Padilha. A aliança também incluiu a indicação do primeiro suplente do candidato do PT ao Senado, o senador Eduardo Suplicy, que é o presidente estadual do PR, José Tadeu Candelária.

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Padilha terá o tempo de rádio e televisão, mas perde a fatia mais importante de uma campanha eleitoral – representada pelos prefeitos e vereadores -, bicada com apetite por Alckmin. O tucano investe no municipalismo e, segundo o comando de campanha do PSDB, conta com o apoio de mais de 400 dos 645 prefeitos.

No caso do PR, a maioria dos 29 prefeitos estaria ao lado do tucano por conta da relação administrativa e pelo fato de não estarem na disputa. Segundo o dirigente, no próximo dia 20 os prefeitos do PR que apoiam Alckmin vão realizar um evento “suprapartidário” em São Paulo para declarar publicamente o apoio ao candidato tucano. O PSDB vai tentar invadir outras searas, mirando especialmente os prefeitos do PMDB, cujo partido também apoia a presidente Dilma Rousseff e o candidato do partido ao Palácio dos Bandeirantes, Paulo Skaf.

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Procurado pelo iG, o PR explicou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a aliança com o PT ou a fidelidade partidária que, em tese, deveria ser mantida em todas as instâncias, não é vertical e que os prefeitos e diretórios municipais têm liberdade para optar por outras candidaturas a governador. Segundo a assessoria, o foco do partido na cobrança de fidelidade partidária são os programas e a gestão pública alicerçada nas políticas sociais.

Veja imagens da campanha de Geraldo Alckmin:

Tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra fazem selfie na fábrica Wurth, em São Paulo (7/8). Foto: Divulgação/PSDB
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O senador Antônio Carlos Rodrigues, um dos caciques do PR paulista, reagiu irritado. “Deputado federal, estadual, prefeito ou vereador que apoiar o Alckmin será expulso do partido. Vou checar essa informação e mandarei agora mesmo uma circular para todos”, ameaçou o senador, que jura não ter tomado conhecimento da onda de traições. “Se alguém se atrever a colocar propaganda ou apoiar outro candidato, vamos expulsar”, garante.

iG procurou três prefeitos do PR, José Antônio Pedretti, de Dracena, na região oeste paulista, a 650 quilômetros da capital, Abel José Larini, de Arujá, e Benedito Rafael, de Salesópolis, na região metropolitana, mas nenhum deles quis falar. Alegaram problemas de agenda, mas suas assessorias, questionadas sobre o apoio a Alckmin, não negaram.

Em entrevista ao jornal Diário de Mogi, publicada no último dia 6, Benedito Rafael justificou assim o apoio ao governador: “A troca de comando, seja em que esfera for, não é interessante para nós porque, daí, todos os projetos em andamento podem ser paralisados, trava tudo.”

O presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento, ex-ministro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma, adotou o estilo que notabilizou os tucanos e ficou em cima do muro. “O presidente delegou, em caráter irrevogável às direções nos Estados, a definição sobre a política de alianças. Não cabe à direção nacional reparar ou recomendar procedimentos. Se surgir alguma representação, a direção nacional pode vir a se pronunciar”, informou a assessoria de imprensa do partido.

 Por Ig