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Mercadante será peça-chave da reforma ministerial

13/11/2013 00:23

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A presidente Dilma Rousseff deverá começar a reforma ministerial logo após o final dos trabalhos do Congresso, na segunda quinzena de dezembro. A mudança no time poderá ser feita em etapas, estendendo-se por janeiro.

Aguardar o recesso tem um motivo importante: usar a expectativa de nomeações para evitar que a base de apoio no Legislativo aprove projetos que prejudiquem as contas públicas em 2014, ano eleitoral.

Há uma série de bombas fiscais em tramitação no Congresso. A presidente avalia ser fundamental, numa hora em que já há dificuldade para fechar as contas públicas, impedir que deputados e senadores votem propostas que possam atrapalhar a economia no ano da campanha da reeleição.

A votação do Orçamento da União costuma se prolongar até o Natal. A presidente também quer acompanhar bem como vai ficar essa proposta para 2014.

O fortalecimento do PMDB, que deverá ganhar uma sexta pasta, é importante para conter o ímpeto do partido em aprovar projetos que ameacem a política fiscal.

O PMDB tem hoje Turismo, Agricultura, Previdência, Minas e Energia e Aviação Civil. Deverá levar a pasta da Integração Nacional. O provável novo ministro é o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), do grupo do atual presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).

Na política, as prioridades serão usar a reforma ministerial para cimentar alianças eleitorais a fim de fortalecer a chance de reeleição de Dilma, mas tentando evitar a nomeação de ministros que não possam ser tirados da equipe em 2015 caso a presidente se reeleja.

Além de fortalecer o PMDB, a presidente deverá nomear ministros de partidos que apoiem oficialmente a sua campanha: PP, PTB, Pros e PSD terão postos desde que obedecida essa premissa.

Peça-chave

O destino de Aloizio Mercadante (Educação) será um divisor de águas na reforma. Hoje ele é o ministro mais próximo da presidente. Se for para a Casa Civil, Mercadante entra na lista de ministros que não poderão trocar de lugar em 2015. Não faz sentido promovê-lo agora e rebaixá-lo num eventual segundo governo.

Caso Mercadante permaneça na Educação, aumenta a possibilidade de ele ser o principal coordenador da campanha da presidente. Ou seja, poderia deixar o cargo em junho do ano que vem, quando acontecerão as convenções que oficializam os candidatos. Nesse cenário, cresce a chance de uma troca mais técnica na Casa Civil, já que a titular de hoje, Gleisi Hoffmann, vai retornar ao Senado a fim de ser candidata em 2014 ao governo do Paraná.

Uma possibilidade forte é deslocar Miriam Belchior do Planejamento para a Casa Civil. Paulo Bernardo poderia trocar as Comunicações pelo Planejamento, deixando sua atual pasta na cota das composições partidárias. Bernardo também é lembrado para articulador político, no lugar de Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Futuros ministeriáveis

A ideia de evitar nomear ministros difíceis de serem substituídos num eventual segundo governo tem o objetivo de deixar a presidente mais livre para eventuais composições e para abrigar nomes que hoje estão em governos estaduais.

O principal exemplo é o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Amigo de Dilma, ele concluirá seu segundo mandato à frente do governo baiano. É nome certo para a equipe da presidente em 2015, caso ela vença a disputa pelo Palácio do Planalto.

Como a eleição pelo governo do Rio de Janeiro deverá ser uma briga de foice, Dilma gostaria de avaliar a possibilidade de colocar no ministério o atual vice-governador do Estado, o peemedebista Luiz Fernando Pezão. O vice de Sérgio Cabral deverá disputar o governo, mas, se ele perder, é opção para o primeiro escalão em 2015.

A folgada vitória do deputado estadual Rui Falcão (SP) para presidente nacional do PT também deverá facilitar a vida de Dilma na reforma da equipe. Há insatisfações das diversas tendências do PT, partido que tem 18 dos 39 ministros. Com a ampla maioria de Falcão, o fatiamento de pastas entre as tendências tende a ser menor.

Mais Médicos, a vitrine

Para o lugar de Alexandre Padilha, que deixará a Saúde para concorrer ao governo paulista, é quase certa a indicação de Mozart Sales, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação do ministério. Mozart foi um dos principais idealizadores do Mais Médicos, programa que será vitrine de Dilma e de Padilha na campanha.

A indicação de um técnico para a Saúde deixa o posto livre para a eventual volta de Padilha, caso ele perca a disputa contra Geraldo Alckmin (SP), favorito hoje para se reeleger governador de São Paulo .

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