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Mansão do caso Richthofen tem novo dono

18/12/2014 00:02

Há cerca de três meses, a casa no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo, começou a ser reformada. Quem passa pela rua tranquila vê um grande muro e dois portões pintados de branco. Não lembra em nada a antiga fachada, que era de tijolo aparente, recoberta por vegetação, e que ainda estampava várias pichações feitas logo depois do crime. Como estava difícil apagar frases do tipo “matou os pais” e “lágrimas Jesus chorou”, a solução foi cimentar a fachada e cobrir com tinta. Assim, o imóvel ganhou uma cara nova. Por enquanto não há campainha ou porteiro eletrônico.

Fachada da casa onde morou a família Richthofen antes de o imóvel ser vendido e reformado. Foto: Renan Truffi/iG São Paulo
Fachada da casa onde morou a família Richthofen antes de o imóvel ser vendido e reformado. Foto: Renan Truffi/iG São Paulo
Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, na época do crime: hoje o jovem vivem na Europa. Foto: Fernando Pilatos/Futura Press

Depois de 12 anos fechada, a mansão onde foram assassinados Manfred e Marísia von Richthofen, em São Paulo, tem um novo dono. Em 31 de outubro de 2002, o casal foi assassinado a mando da filha Suzane (que tinha 19 anos) pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. O novo proprietário do imóvel prefere o anonimato.

Paula Pacheco/iG

Detalhe da casa que pertenceu à família Richthofen e agora terá novos moradores

A reforma na casa, segundo uma pessoa que acompanhou as obras, deve ser concluída antes do Natal. Agora faltam apenas alguns retoques, mas quando o trabalho começou havia muito o que ser feito no imóvel abandonado. Só dos jardins foi retirado material (como galhos e restos de plantas) suficiente para encher um caminhão.

Os poucos objetos que estavam na parte interna da residência antes da venda foram concentrados em um único cômodo. Recentemente, Andreas, o único irmão de Suzane, que mora na Europa, foi até a antiga casa para pegar alguns livros. Por conta do abandono, a casa teve problemas com cupins e excesso de umidade.

A advogada de Andreas, Maria Aparecida Evangelista, foi procurada para dar mais detalhes sobre a venda da casa da família Richthofen, mas disse que preferia não se manifestar.

Briga pela herança

A disputa pela herança da família Richthofen durou mais de uma década. Só em outubro passado Suzane dediciu abriu mão dos bens. O valor do espólio chegaria a pelo menos R$ 10 milhões e a filha do casal teria direito a metade.

Os bens da família Richthofen teriam motivado o crime, segundo os promotores do caso. Mas Suzane alegou na época do assassinato que estava infeliz com os pais porque eles teriam criado dificuldades no seu namoro com Daniel Cravinhos.

Suzane von Richthofen foi presa por ter arquitetado a morte dos pais em SP. Foto: Reprodução/Youtube

O crime e o casamento no presídio

Manfred e Marísia von Richthofen foram encontrados mortos no quarto do casal em 31 de outubro de 2002. A polícia foi à mansãoo depois de ser chamada pela Eles foram atacados por Daniel e Cristian Cravinhos com golpes de barra de ferro. Marísia não morreu na hora e foi sufocada com um saco na cabeça e, em seguida, estrangulada. Os três tentaram simular um assalto. Para isso, levaram dinheiro e jóias.

A polícia foi chamada por Daniel, que disse suspeitar que havia ladrões na casa. Eles chegaram a ir ao enterro de Manfred e Marísia. Dias depois, a polícia conseguiu provas de que os irmãos e a filha do casal estavam envolvidos nos assassinatos.

Suzane foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão. Em outubro passado, foi noticiado que ela se casou na penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, com Sandra Regina Gomes, condenada a 27 anos de prisão pelo sequestro de uma empresária.

Na ocasião, Suzane abriu mão da disputa pela partilha da herança dos pais em comunicado enviado à Justiça. A detenta manifestou “sua intenção de desistir da herança dos seus genitores”. O processo de inventário e partilha corre na Justiça desde dezembro de 2002, dois meses após o crime.

A declaração de vontades de Suzanne foi homologada pela Justiça, que sentenciou o processo de partilha em favor de Andreas von Richthofen, irmão dela.

www.reporteriedoferrreira.com  Por Paula Pacheco – iG São Paulo