Rodrigo Maia também disse que o governo não tem projeto para o País além da reforma da Previdência e do projeto anticrime
REPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL

Rodrigo Maia também disse que o governo não tem projeto para o País além da reforma da Previdência e do projeto anticrime

O presidente da Câmara dos Deputados,  Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse neste sábado (23) que o governo de Jair Bolsonaro não pode “terceirizar a articulação” política com o Congresso e que o presidente precisa “deixar o Twitter de lado”.

Ao chegar para uma reunião do PPS, em Brasília, Rodrigo Maia afirmou que Bolsonaro não pode transferir para os presidentes da Câmara e do Senado a responsabilidade que, segundo ele, deveria ser do presidente da República.

“É importante que o governo acerte na articulação. E ele não pode terceirizar a articulação como ele estava fazendo. Quer dizer, transfere para o presidente da Câmara e para o presidente do Senado uma responsabilidade que é dele e fica transferindo e criticando: ‘Ah, a velha política está me pressionando, estão me pressionando’. Então ele precisa assumir essa articulação, porque ele precisa dizer o que é a nova política”, afirmou.

O presidente da Câmara também disse que o governo não tem projeto para o País além da reforma da Previdência e do projeto anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e advertiu que Bolsonaro precisa deixar o Twitter de lado, além da “disputa do mal contra o bem”, e se empenhar para melhorar a vida da população.

“O governo é um deserto de ideias”, declarou Maia em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. “Se tem propostas, eu não as conheço. Qual é o projeto do governo Bolsonaro fora a Previdência? Não se sabe”. Para Maia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é “uma ilha” dentro do Executivo.

Na quinta-feira (21), Maia ameaçou deixar a articulação política da reforma da Previdência. O presidente da Câmara teria ligado para o ministro da Economia, Paulo Guedes, depois de ler uma publicação na rede social do vereador Carlos Bolsonaro a seu respeito.

Na publicação em questão, Carlos comentou o embate entre Maia e o ministro da Justiça. Os dois divergem em relação a votação do pacote anticrime apresentado pelo ministro e Carlos se posicionou ao lado de Moro, criticando a decisão do deputado de priorizar a Previdência em detrimento do pacote .

Maia vem demonstrando irritação com a maneira como o governo está lidando com a tramitação da reforma da Previdência . Ele também parece descontente com a ofensiva contra ele nas redes sociais, principalmente depois das  desavenças com Sergio Moro sobre o pacote anticrime.

Na sexta-feira (22), o presidente afirmou que não havia dado motivo para Maia deixar a articulação e comparou possíveis dificuldades no relacionamento às brigas de um namoro. Questionado sobre a fala, Rodrigo Maia disse que, se o presidente ficar sem conversar com ele até o fim do mandato, não haverá problema. “Não preciso falar com ele. O problema é que ele tem de conseguir várias namoradas no Congresso. São os outros 307 votos que ele precisa conseguir. Eu já sou a favor. Ele pode me deixar para o fim da fila”, argumentou.

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