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Lobista da Odebrecht visitou gabinete de Jucá 75 vezes

26/11/2017 11:05

 

Entradas foram registradas pelo Senado no período em que tramitavam MPs de interesse da empresa

Investigado. Jucá é alvo de inquérito com outros senadores que apura “compra” de MPs pela Odebrecht
Marcos Oliveira / Agência Senado – 9.11.2017

Investigado. Jucá é alvo de inquérito com outros senadores que apura “compra” de MPs pela Odebrecht

Brasília.  Registros de entrada no Senado entregues à Polícia Federal (PF) revelam que Romero Jucá (PMDB-RR) foi o senador mais visitado pelo lobista da Odebrecht Cláudio Melo Filho na época em que tramitaram medidas provisórias que, segundo delatores da empreiteira, foram “compradas” para favorecer o grupo. Em sua delação, Melo Filho disse à Procuradoria Geral da República (PGR) que, em um dos casos, a empresa pagou cerca de R$ 7 milhões via caixa 2 para garantir a aprovação da MP 613/2013, que beneficiava com isenções fiscais a Braskem, empresa petroquímica do grupo Odebrecht, e produtores de etanol. Desse valor, segundo Melo Filho, cerca de R$ 4 milhões foram para Jucá.

Os registros de entrada, fornecidos pela Secretaria de Polícia do Senado, constam do inquérito da PF que investiga a suposta venda de quatro MPs. Nos dias em que essas medidas tramitaram no Congresso, Melo Filho entrou no Senado cerca de 20 vezes rumo ao gabinete de Jucá. No total, de 2009 a 2014, período das informações coletadas pela PF, o lobista esteve no Senado 75 vezes para visitar o senador.

 

Há ainda outros dez registros de entrada em direção ao gabinete da liderança do governo no período em que Jucá exercia essa função. Conforme os registros, mesmo depois de Jucá deixar a liderança, seu gabinete continuou a receber as visitas com a mesma frequência.

 

Encarregado de fazer a ponte entre a Odebrecht e congressistas, Melo Filho visitou também outros senadores. Exemplos são Gim Argello, do PTB-DF (16 vezes), Renan Calheiros, do PMDB-AL (oito vezes), e Sérgio Guerra, do PSDB-PE (sete vezes), morto em 2014.

 

No documento enviado à PF, a Polícia do Senado ressalvou que o destino dos que entram na Casa é informado na portaria, “não havendo verificação que confirme se de fato o visitante se dirigiu ao local”.

 

Também são alvos no inquérito sobre compra de MPs os senadores Renan, Eunício Oliveira (PMDB-CE), hoje presidente do Senado, e os deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara. Todos negam as acusações da Odebrecht.

 

Segundo o lobista Melo Filho, os pagamentos no Senado foram acertados com Jucá, que teria dito que atuava em parceria com Renan, e tinham o objetivo de garantir que as MPs não caducassem.

 

Jucá afirmou, em nota, que, “como líder do governo, recebe várias pessoas de diversos setores e áreas”. “A delação do senhor Claudio Melo se mostrará sem comprovação, assim como outras em curso”, afirmou Romero Jucá.

www.reporteriedoferreira.com.br    Por Ig