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Ladrão afirma que havia acordo com policiais para roubos de carro, diz MP

Assaltante é uma das testemunhas mais importantes da investigação. MP apresentou denúncia contra 23 pessoas na Região de Curitiba.

18/08/2013 01:03

Um ladrão de carros, que está entre as mais de 80 pessoas ouvidas por promotores do Ministério Público (MP), afirmou, em depoimento ao MP, que existia um acordo entre policiais e assaltantes para definir onde carros podiam ser roubados na Região de Curitiba. Ele é uma das testemunhas mais importantes da investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, sobre o esquema de cobrança de proprina na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) de Curitiba, e, por essa razão, não pode ser identificado. O depoimento foi obtido com exclusividade pela RPC TV neste sábado (17).

Na quinta-feira (15), o MP apresentou denúncia contra 23 pessoas – sendo quatro delegados, 15 investigadores, um agente de apoio e três comerciantes. Segundo as investigações, havia um esquema na DFRV da capital paranaense de cobrança de propina paga por donos de lojas de autopeças e ferros-velhos para que policiais e delegados não denunciassem irregularidades como o comércio de peças roubadas e sem notas fiscais.

Segundo o Gaeco, a média mensal de arrecadação com propina era de R$ 30 mil, chegando a R$ 50 mil em algumas ocasiões. Ainda conforme o Gaeco, em troca de pagamentos mensais, os policiais permitiam que as revendas desmontassem e vendessem as peças de carros roubados em Curitiba e Região Metropolitana.

No depoimento, o ladrão de carros confirmou o pagamento aos agentes e contou que policiais iam até a loja pegar o dinheiro em troca do silêncio.  “A hora que eles chegam lá, ele [dono da loja] fala assim: ‘Se esconda, se esconda…’ Aí vinha os polícia (sic) entrando lá pra dentro lá (sic). Para pegar o dinheiro lá”. O assaltante revelou que o dono do desmanche fez um acordo com a polícia para derrubar os índices de roubo de carro na capital do Paraná.

“Agora o velho [dono da loja] acertou da  seguinte forma: tinha que cair o índice de [roubo de] carro aqui em Curitiba, então, ele falou que só tinha que furtar na região metropolitana, São José dos Pinhais, Contenda, entendeu? E aí diz que o acerto é assim: ele não pode ser pego lá dentro cortando carro com o que tinha sido furtado em Curitiba, entendeu?”.

Cortar carro é a gíria usada pelos criminosos para o desmanche de veículos roubados. O depoimento foi realizado no dia 19 de dezembro de 2012. Uma semana antes do depoimento no Ministério Público, o ladrão roubou mais de dez carros e seguiu as orientações que recebeu. Todos os furtos aconteceram em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, de acordo com os promotores. Apesar da confissão dos crimes, ele está solto e responde pelos roubos em liberdade.

Denúncia 
Foram citados na denúncia do Gaeco três delegados que passaram pela Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos – Anderson Franco, Marco Antonio de Goes e Gerson Machado. O ex-chefe da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio Público, Luis Carlos de Oliveira, foi apontado pelo Gaeco como o chefe do esquema criminoso. Por telefone, ele negou as acusações. “Não existe nada que comprove a minha participação em esquema criminoso. Nunca recebi nenhum dinheiro de loja de autopeças ou qualquer outra pessoa”.

Os outros delegados citados se manifestaram sobre a denúncia ainda na quinta-feira. O delegado Anderson Franco disse que não iria comentar a investigação dos promotores para não criar atrito com outros órgãos públicos pelo o que chamou de “falsa acusação”. O delegado Marco Antonio de Goes afirmou que tem um trabalho sério na Polícia Civil e que certamente será absolvido. Gerson Machado, na sexta-feira (16), negou as acusações. “Na minha gestão, não aconteceu isso e eu provo através de documentos”, afirmou.

Na sexta-feira, o ex-delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Marcus Vinícius Michelotto falou  sobre as denúncias do Gaeco. Ele afirmou que tentou afastar suspeitos de liderar esquema de corrupção do Conselho da polícia, que define as ações da instituição. O ex-delegado-geral foi investigado, mas não chegou a ser denunciado. Os promotores pediram um mandado de busca e apreensão na casa dele, mas a Justiça negou o pedido.

G1