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Funcionário de João de Deus diz que ele sofre de hipertensão, está de repouso e medicado

13/12/2018 16:14

O médium João de Deus, suspeito de abusos sexuais durante atendimentos espirituais, está recolhido em uma chácara de Anápolis, a 55 km de Goiânia. De acordo com Chico Lobo, administrador da Casa Dom Inácio de Loyola, onde João realiza atendimentos, o religioso tem tido crises de hipertensão desde quarta-feira (12), mas está sendo medicado. O Ministério Público pediu a prisão do médium. Ele nega as acusações.

“Ele [João de Deus] está recolhido e medicado. Recolhido, porque acabou passando mal ontem quando chegou na Casa [Dom Inácio de Loyola]. E medicado por causa dos picos de pressão que tem tido, mas tudo sob controle, tomando remédios e sem riscos de algo grave. Nós precisamos saber quais serão os andamentos da Justiça em relação a esta situação e estamos acompanhando tudo”, disse o administrador.

Antes de encontrar com Chico Lobo, o G1 foi até a residência de João de Deus em Abadiânia, onde não havia ninguém. A casa fica em frente a outra instituição espiritualista conduzida pelo médium. No local, voluntários preparam a rua para uma festa de Natal que vai ser oferecida para crianças no próximo sábado (15), com brinquedos infláveis e atividades recreativas.

“É algo que a gente já realiza e vamos continuar realizando, uma atividade que as crianças daqui da cidade já estão esperando há algum tempo”, disse Lobo.

O administrador já havia informado que João de Deus não iria até a casa nesta manhã.

 

 João de Deus esteve na casa Dom Inácio de Loyola na quarta-feira pela primeira vez após denúncias — Foto: Paulo Giovanni/Futura Press/Estadão Conteúdo

João de Deus esteve na casa Dom Inácio de Loyola na quarta-feira pela primeira vez após denúncias — Foto: Paulo Giovanni/Futura Press/Estadão Conteúdo

Voluntária defende médium

A médium voluntária Eliana Pigatto disse que frequenta a Casa Dom Inácio de Loyola há oito anos, inclusive, levando as duas filhas. Neste período, afirma que nunca viu nada que desabonasse a conduta de João de Deus. Ela contou ainda que o médium está “abalado”, mas que o local seguirá funcionando independente de sua presença.

“As pessoas têm que entender que existe um tripé na Casa de Dom Inácio de Loyola: a casa, o médium incorporado e o homem João. O homem João é como nós, tem a dualidade dele, é humano e está em fase de evolução. Então, obviamente que ele está abalado. Quem que não se abala com julgamento? Eu já julguei e fui julgada”, afirma.

Eliana destacou ainda que as denúncias precisam ser investigadas pela Justiça, mas que qualquer que seja o resultado da apuração, o legado de João de Deus não será apagado.

“A casa não vai deixar de ser a casa de Dom Inácio, o médium João não vai invalidar 70 anos de missão. Tem que ser averiguado [as denúncias], está aí na mão da Justiça, está sendo julgado e que Deus julgue acima de tudo”, opina.

Questionada sobre uma possível queda no movimento na Casa após as denúncias virem à tona, a voluntária disse que a quantidade de pessoas que procuraram o local foi até maior do que ela esperava.

“Ontem [quarta-feira, 12], achei que ia ter umas 800 pessoas e a contagem foi de 1,5 mil. Hoje [quinta-feira, 13], está em 1,3 mil. Em dias de passagens caras, época de final de ano, a casa até está cheia”, destaca.

Turistas

Além das excursões de diferentes estados brasileiros, dezenas de turistas estrangeiros, sobretudo de países do leste europeu, como Romênia, Ucrânia, Eslováquia e Croácia frequentam a Casa nesta manhã. Sentado na entrada principal do templo, um deles escreveu em um cartaz “Help João. The meditation begin here”, que, em português, significa “Ajudem João. A meditação começa aqui”.

Em entrevista ao G1, uma croata, que não quis ter o nome divulgado, disse que visita o templo para meditar e que não tem conhecimento sobre as denúncias de abuso sexual que recaem sobre o médium João de Deus.

“Eu venho sempre que posso e fico por uma semana aqui para me conectar com energias espirituais boas. Eu não sei de nada errado e nunca vi nada de errado ou sem respeito aqui dentro deste lugar. Quero vir sempre”, afirmou a mulher.

Pedido de prisão

O Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) protocolou, no fim da tarde de quarta-feira (12), o pedido de prisão preventiva de João de Deus, após a força-tarefa criada pelo órgão receber mais de 250 denúncias de supostas vítimas do médium.

O pedido deve ser analisado pelo juiz Fernando Chacha, que é responsável pela comarca de Abadiânia. A assessoria do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou ao G1 que não pode confirmar nenhuma informação porque o caso está em segredo de Justiça.

“Eu fui informado apenas pela imprensa, não recebi qualquer comunicação oficial, não conheço o teor do suposto pedido e, portanto, a única coisa que posso dizer é que o João de Deus voltou para Abadiânia e está à disposição da Justiça, como sempre esteve. Não me parece que haja qualquer necessidade da decretação da prisão preventiva. Por hora, é tudo que eu posso dizer”, afirmou.

O jornal “O Globo”, a TV Globo e o G1 têm publicado nos últimos dias relatos de dezenas de mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium. Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.

‘Sou inocente’

João de Deus esteve por menos de 10 minutos na Casa Dom Inácio de Loyola. Na ocasião, ele disse que era inocente e que confiava na Justiça de Deus e dos homens.

“Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus, mas quero cumprir a lei brasileira porque estou na mão da lei brasileira. João de Deus ainda está vivo. A paz de Deus esteja convosco”, diz João de Deus.

 
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