A PF deflagrou a nova fase da Operação Lava Jato na manhã de hoje, com 14 mandados judiciais em diversas cidades do País; a Sothis tem como alvo principal o ex-gerente e familiares por recebimento de R$ 7 milhões

Ex-gerente da Tranpetro, subsidiária da Petrobras, foi preso na 47ª fase da Operação Lava Jato
Valter Campanato/Agência Brasil – 17.3.2017

Ex-gerente da Tranpetro, subsidiária da Petrobras, foi preso na 47ª fase da Operação Lava Jato

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (21) uma nova fase da Operação Lava Jato, batizada de ‘Sothis’, e cumpre 14 mandados judiciais nas cidades da Bahia, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo. Um ex-gerente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, foi preso temporariamente, detido em sua casa, na cidade de Camaçari (BA).

 

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça expediu e a Polícia Federal efetua a 47ª fase da Lava Jato , com oito mandados de busca e apreensão, cinco de condução coercitiva e um de prisão temporária.  O principal alvo é o ex-gerente da Transpetro, José Antônio de Jesus, assim como seus familiares e intermediários, suspeitos de operacionalizarem o recebimento de R$ 7 milhões de propinas pagas por empresa de engenharia, entre setembro de 2009 e março de 2014. O valor teria sido repassado mensalmente em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT), segundo acreditam os procuradores.

O ponto de partida das investigações foi a delação premiada dos executivos da empresa de engenharia. Então, a partir disso, foram realizadas diversas diligências, como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos, os quais revelaram a existência de estreitos vínculos entre os investigados e corroboraram os ilícitos narrados pelos colaboradores.

 

As provas indicam que o ex-gerente recebeu suborno para favorecer a empresa de engenharia em contratos com a Transpetro. Para dissimular e ocultar a origem ilícita dos recursos, o valor foi pago por meio de depósitos realizados em contas bancárias de terceiros e familiares, vindo de contas de titularidade da empresa de engenharia e/ou de seus sócios.

 

O ex-gerente teria pedido, inicialmente, o pagamento de 1% do valor dos contratos da empresa com a Transpetro como propina, entretanto, o acerto final ficou em 0,5%. Este valor foi pago mensalmente em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT), de modo independente dos pagamentos feitos pela mesma empresa a pedido da presidência da Transpetro, e que eram redirecionados ao PMDB. O ex-gerente se desligou da subsidiária da Petrobras recentemente.

 

Para a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili, “neste caso houve um dos esquemas mais rudimentares de lavagem de dinheiro da Lava Jato. A propina saía da conta bancária da empresa de engenharia para a conta bancária de empresa do filho sem qualquer contrato ou justificativa para o repasse do dinheiro. Além disso, estão sendo investigados contratos entre a própria empresa do filho, controlada de fato pelo ex-gerente, e a Transpetro, o que pode indicar a inexistência ou falha grave de mecanismos de compliance”.

 

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa destaca que “houve um esquema político-partidário contínuo e duradouro na Transpetro, como na Petrobras. Os crimes praticados na Transpetro são uma nova frente de investigações da Lava Jato, em expansão. Como ocorreu no caso da Petrobras, este é o momento mais favorável para quem quiser colaborar com a Justiça se apresentar“.

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