Discurso de Jair Bolsonaro cresce diante da ansiedade das pessoas, que buscam

 
Reprodução/Twitter

Discurso de Jair Bolsonaro cresce diante da ansiedade das pessoas, que buscam “respostas simplistas”

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o jordaniano Zeid Al Hussein, disse considerar que o  discurso adotado pelo candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, representa “um perigo” para parte da população brasileira no curto prazo, e “para o país todo” no longo prazo. As declarações foram dadas ao jornal O Estado de São Paulo em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (29), em Genebra. 

Zeid avaliou que o crescimento da popularidade do discuso de Jair Bolsonaro decorre da ansiedade das pessoas provocada por incertezas econômicas, o que faz com que elas busquem “respostas simplistas”. 

“Quando as pessoas estão ansiosas, quando existem incertezas econômicas, globais ou não, ao dar uma resposta simplista e tocando nas emoções naturais das pessoas – e talvez olhando para uma liderança mais forte, firme – é uma combinação que é bastante poderosa”, disse Zeid, segundo reportou o Estadão .

“O perigo é que isso venha às custas de um certo grupo no curto prazo e, no longo prazo, de todo o País”, alertou o chefe de Direitos Humanos da ONU , que também fez apelo para que as pessoas sejam “consicentes” e olhem para trás para aprender com “exemplos históricos”.

“Não é para dizer que o progresso humano foi fácil. Eu confesso que, de muitas maneiras, não entendo o pensamento conservador. Se apenas escutássemos a isso, talvez alguns de nós ainda estivéssemos em cavernas. O progresso ocorreu porque estipulamos que todos devem ter direitos iguais”, ilustrou Zeid.

Jair Bolsonaro e os direitos humanos

Alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein comentou sobre Jair Bolsonaro
ONU/Jean-Marc Ferré

Alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein comentou sobre Jair Bolsonaro

No último dia 18, Bolsonaro chegou a dizer que  pretendia tirar o Brasil do conselho da ONU por considerar que o órgão “não serve para nada”, sendo apenas um “local para reunião de comunistas” e estar “sempre ao lado de tudo que não presta”. Após repercussão negativa, no entanto, o ex-capitão do Exército disse que cometeu um “ato falho”  e que, na verdade, referia-se ao comitê de Direitos Humanos da ONU.

Esse comitê é composto por 18 especialistas independentes e, duas semanas atrás, expediu liminar cobrando do Brasil medidas que assegurem a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.

Líder nas pesquisas de intenção de voto nos cenários sem Lula, Bolsonaro é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de  propagar “discurso de ódio” e de ter cometido crime de racismo e de manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs. 

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou ontem o julgamento  para decidir se o militar se tornará réu ou não. A decisão, no entanto, foi adiada devido a pedido de vistas do ministro Alexandre de Moraes quando o julgamento estava empatado em 2 a 2.

Os comentários de Zeid sobre o candidato Jair Bolsonaro foram feitos durante sua última entrevista coletiva como alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. O posto será assumido no sábado (1º) pela ex-presidente do Chile Michelle Bachelet.

Por Ig