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Cruz Vermelha desviou doações para ajudar vítimas de desastres, diz auditoria

30/07/2014 17:58

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Uma auditoria encomendada pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha, órgão com sede na cidade de Genebra, na Suíça, apontou que a Cruz Vermelha Brasileira desviou dinheiro arrecadado em campanhas humanitárias.

Segundo a investigação, houve um desvio nas doações que seriam usadas para socorrer vítimas de conflitos na Somália (2011), do tsunami no Japão (2011) e das enchentes na região serrana do Rio de Janeiro (2011).

Em 2011, mais de 600 pessoas morreram com enchentes na região serrana do Rio (Foto:ABr)

De acordo com a Folha de S. Paulo, ao todo, cerca de R$ 1,8 milhões foram encaminhados a uma Organização Não Governamental (ONG) que pertence à mãe do vice-presidente da Cruz Vermelha, Anderson Marcelo Coutinho. Outra parcela das doações, que chegam a R$ 523 mil, foi parar em alguns fundos de aplicação e, em seguida, teve destino não identififcado.

A auditoria do escândalo envolvendo uma possível corrupção na Cruz Vermelha Brasileira foi feita pela empresa Moore Stephens, consultoria independente de Londres.

O Instituto Humanus, ONG que recebeu o dinheiro, fica localizado em São Luís, no Maranhão, e está registrado em nome de Alzira Quirino da Silva, mãe de Anderson Marcelo Coutinho.

Tsunami deixou cidade devastada o Japão (Foto: AFP)

Segundo números revelados pela auditoria, o Humanus recebeu R$ 15,8 milhões da Cruz Vermelha de 2010 a 2012, sem nenhum tipo de comprovação que o valor tenha sido utilizado para prestar os serviços devidos. Como em dez filiais analisadas não havia nenhum tipo de documentação que comprovasse o destino do dinheiro, a auditoria não conseguiu especificar a origem de todo o dinheiro transferido para o Instituto Humanus.

Em 2012, a Humanus recebeu cerca de R$ 100 mil da filial no Rio Grande do Sul. O dinheiro deveria ser utilizado para ajudar a um hospital em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

No Brasil, existe a Cruz Vermelha nacional (órgão central) e dezenas de filiais nos estados e municípios. De acordo com o estatuto da instituição, cada filial tem a autonomia para gerenciar o seu funcionamento, enquanto o órgão central é controlado pela federação internacional, embora todas compartilhem a mesma marca internacional.

Correio da Bahia.