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Isac Nóbrega/PR – 3.10.19

Com novo decreto, Bolsonaro deixou duas regras conflitantes em vigor para renovação de armas

O pedido feito por Jair Bolsonaro a um apoiador para que “esquecesse o PSL “ jogou luz no tamanho da rachadura que se alarga no partido. O episódio aconteceu na saída do Palácio da Alvorada, na última terça, e tornou públicas as divergências entre o presidente da República e o comandante da sigla, Luciano Bivar . Agora, os deputados correm para consolidar o apoio em torno de cada um dos polos e medir forças entre si.

Vem do entorno de Júnior Bozzella (PSL-SP), deputado federal que está no partido antes da chegada de Bolsonaro, a formação de uma frente em defesa a Bivar. Motivado pelo comentário de Bolsonaro de que Bivar estaria “queimado pra caramba”, seu grupo está coletando assinaturas em apoio ao presidente do PSL.

O texto em defesa de Luciano Bivar atribui a “ameaças antidemocráticas” a fragmentação do partido e faz um apelo por união “a uma só bandeira, ousada e fiel, visando mudar os rumos da história de nosso país dos mandos e desmandos que gerou um sistema corrupto e ganancioso de poder”.

Semanas atrás, circulou pelo Congresso também uma lista da ala “ideológica” do PSL. Elaborado pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), o documento visava angariar apoio para mudar o estatuto do partido. A circulação do texto irritou Bivar, que chamou de “estúpida” a iniciativa.

Aliados de Orleans e Bragança e Eduardo Bolsonaro cobravam por dispositivos que garantissem votações internas para escolhas de candidatos nas eleições. A mudança permitiria, por exemplo, contestar o lançamento antecipado de Joice Hasselmann (PSL-SP), que quer disputar a Prefeitura de São Paulo, ao posto. Alguns pediam também a saída de Bivar do comando do PSL, função que exerce há 21 anos, desde a criação da sigla.

Com o racha exposto pelo comentário de Jair Bolsonaro nesta terça, as listas de assinaturas estão sendo usadas como atestados de fidelidade a cada um lados. Mas há parlamentares deixando pistas diversas sobre seu posicionamento.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) tirou há alguns qualquer menção ao partido de seu perfil no Twitter. Já Alê Silva (PSL-MG) chegou a chamar o PSL de “partido pequeno, nanico” ao ser suspensa da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados pelo diretório nacional. A deputada descobriu sua exclusão quando já estava a posto para começar a sessão.

“Até o início da sessão meu nome estava ali no painel. Acabei de receber a comunicação de que fui excluída da CFT por parte do partido. Aliás, meu partido até este dado momento”, declarou emocionada. “Esse partido não é do governo, não é do Bolsonaro. Esse partido só quer dinheiro e que se dane o povo brasileiro”.

Confirmado até então na programação do CPAC Brasil, o maior evento conservador dos Estados Unidos trazido ao Brasil por Eduardo Bolsonaro, Luciano Bivar cancelou sua participação nesta quarta. Segundo a assessoria do evento, a desistência se deu por “questões de agenda”. O CPAC Brasil será realizado em São Paulo nesta sexta e no sábado.

Mão na porta

Apesar de expor publicamente suas insatisfações com o PSL, ao site “O Antagonista”, nesta quarta, Bolsonaro afirmou que não pretende deixar o partido “de livre e espontânea vontade” e mencionou uma eventual “refundação do partido, um novo estatuto bem claro”.

O GLOBO revelou que aliados de Eduardo estão elaborando o estatuto de um novo partido, chamado Conservadores. Os princípios a serem adotados contemplam a “moralidade cristã, a vida a partir da concepção, a liberdade e a propriedade privada”. O texto defende ainda o direito à legítima defesa individual, combate à sexualização precoce de crianças e à apologia da ideologia de gênero e defesa do legado da “moralidade cristã e da civilização ocidental”. Filiados estarão proibidos de fazer alianças com partidos da “esquerda bolivariana”.

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