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PÍLULA MAÇÔNICA Nº 125:  O Balandrau e o Terno Preto

3/07/2017 16:50

PÍLULA MAÇÔNICA Nº 125:  O Balandrau e o Terno Preto

 

O Balandrau é uma vestimenta com tecido na cor preta, com mangas, fechada até o pescoço e é talar, ou seja, cobre até o nível do tornozelo (calcanhar). É muito semelhante à “batina” dos eclesiásticos da Igreja Católica Romana.

 

A origem é muito antiga, pois há evidencias de uso pelos membros do “Collegia Fabrorum” que era um grupo de pessoas que acompanhavam as guarnições romanas, no século VI a.C. e que reparava e reconstruía o que era destruído e danificado nas conquistas. Posteriormente, foi usada pelos membros das “Associações Monásticas”, possivelmente herdeira de muitos ensinamentos do “Collegia Fabrorum”.

 

Segundo Mestre Nicola Aslan, nos parece que o uso do Balandrau é uma peculiaridade da Maçonaria brasileira, pois nenhum autor, fora do Brasil, se refere a ele como indumentária maçônica. Tudo indica que o uso do Balandrau remonta à ultima metade do século XIX, tendo sido introduzido na Maçonaria pelos Irmãos que faziam parte, ao mesmo tempo, de Lojas maçônicas e de Irmandades Católicas, Irmãos estes que foram o pivô da famigerada “Questão Religiosa”, suscitada no Brasil em 1872.

 

Aparentemente, essa vestimenta foi adotada pelos maçons brasileiros como substituto barato e mais confortável do traje a rigor preto, sem objeção por parte das altas autoridades maçônicas. Assim, o uso do balandrau não foi aprovado nem desaprovado, foi simplesmente tolerado, não constituindo, portanto, um traje litúrgico (N. Aslan).

 

Entretanto, não podemos esquecer que, no REAA, o “Irm∴ Terrível” usa um Balandrau com um capuz, também preto, a fim de não ser reconhecido pelos Neófitos.

Referente ao Terno preto, camisa branca e gravata preta (REAA) vamos buscar as informações nos livros do Mestre Castellani: “na verdade é usado um “parelho” indumentária composta de duas peças (paletó e calças) e, não de um “terno” composta de três peças (paletó, calças e colete)”.

 

Segundo ele, o uso dessa indumentária é devido, no Brasil, a majoritária formação católica dos maçons brasileiros, que não se desligaram, pelo menos até agora, do “traje de missa”, transformando as reuniões em verdadeiras convenções de agentes funerários.

Lembra ele que, o traje Maçônico é o AVENTAL. Em outras partes do mundo, principalmente em regiões quentes, os maçons vão às sessões até em mangas de camisa, mas portando, evidentemente, o Avental. E trabalham muito bem, pois a consciência do maçom não está no seu traje. Como diz a velha sabedoria popular: “o hábito não faz o monge”.

Discutir tipo de traje a ser usado (com exceção do Avental) é algo que não leva a nada, pois o traje masculino sofre variações através dos tempos e, inclusive, varia, de povo para povo, na mesma época.

A própria Igreja, que é bastante conservadora, já abandonou certas exigências. A Maçonaria, por ser evolutiva e progressista deveria ir pelo mesmo caminho. O balandrau, como roupa decente, poderia, se quisessem, uniformizar o traje, o que é, também, uma maneira de mostrar a igualdade maçônica (J. Castellani).

Autor: Irm∴ Alfério Di Giaimo Neto Observação do Irm∴ Marcos Noronha: Há alguns anos escrevi um trabalho sobre o tema, publicado na revista A Trolha, em contra ponto a outro trabalho publicado na mesma revista. Vou resgatar este trabalho e compartilhar com os Irmãos, como forma de se ter uma visão a mais sobre o tema. Meus QQuer∴ IIrm∴ , Apresento algumas observações sobre a Pílula Maçônica Nº 125 que tem como título “O Balandrau e o Terno Preto”.

 

Em junho/2006, ou seja, há dez anos, apresentei um trabalho que foi publicado na revista A Trolha em contra ponto com a opinião de Irmãos Aprendizes (salvo engano foram três) do Oriente de Tabatinga/SP que haviam apresentado um trabalho com o título “Gravatas e suas Cores” no qual eles concluíram que o balandrau era a vestima adequada para se utilizar nas Sessões Ordinárias. Na época o Regulamento Geral da Federação (RGF) do GOB no art. 84 afirmava que o balandrau era admitido eventualmente nas Sessões que não eram Magnas, desde que que usado com calça preta ou azul-marinho, sapatos e meias pretas, o Balandrau deveria ter a gola fechada, o comprimento até o tornozelo e mangas compridas, sem qualquer signo ou insígnias estampados.

O atual RGF (Lei nº 0099, de 9 de dezembro de 2008) no seu art. 110 afirma que nas Sessões Magnas os Maçons devem estar trajados de acordo com o seu Rito, com gravata na cor por ele estabelecida, terno preto ou azul marinho, camisa branca, sapatos e meias pretos, podendo portar somente suas insígnias e condecorações relativas aos graus simbólicos. E no § 1º deste artigo que nas demais Sessões, se o rito permitir, admite-se o uso do balandrau preto, com gola fechada, comprimento até o tornozelo e mangas compridas, sem qualquer símbolo ou insígnia estampados. Vemos claramente que a regra é utilizar o terno (ou seja, calça e paletó na colete.

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