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A Maçonaria – Escrito pelo Editor Ir.’. Hélio França

20/05/2014 21:35

 

 

 

maconaria

 

A Maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista.

É filosófica porque, em seus atos e cerimônias, ela trata da essência, propriedades e efeitos das causas naturais. Investiga as leis da natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura.

É filantrópica porque não está constituída para obter lucro pessoal de nenhuma classe, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos destinam-se ao bem estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça. Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranquilidade de consciência.

É progressista porque, partindo do princípio da imortalidade do espírito e da crença em um princípio criador, não se apega a dogmas, prevenções ou superstições, não opõe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade e nem reconhece outro limite nessa busca senão com base na ciência.

A Maçonaria tem como princípio: a Liberdade dos indivíduos e dos grupos humanos sejam eles instituições, raças ou nações; a Igualdade de direitos e obrigações dos seres e grupos, sem distinguir a religião, raça ou nacionalidade; e a Fraternidade entre todos os homens, já que são todos filhos do mesmo criador e, portanto, Irmãos. Convém ressaltar, que a Maçonaria ostenta estes princípios com a abstenção de bandeiras políticas e religiosas.

O lema da Maçonaria é: Ciência, para esclarecer os espíritos e eleva-los; Justiça, para equilibrar e enaltecer as relações humanas; e Trabalho, porque através dele os homens se dignificam e se tornam independentes economicamente. Logo, a Maçonaria trabalha para o aperfeiçoamento intelectual, moral e social da humanidade.

Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes, proporcionando ao Maçom os meios e ensinamentos que permitam o seu aprimoramento e, por consequência, da sociedade, através da procura incessante da verdade e pela transformação do conhecimento da sabedoria.

Moral é, para a Maçonaria, uma ciência baseada no entendimento humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres, é a demonstração científica da consciência. Essa maravilhosa ciência nos ensina os deveres e a razão do uso dos nossos direitos. Ao penetrar a moral no mais profundo da nossa alma, sentimos o triunfo da verdade e da justiça.

Para a Maçonaria, Virtude é a força que nos impele ao cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família, sem interesses pessoais. Em resumo, a virtude não retrocede nem ante o sacrifício e nem mesmo frente à morte, quando se trata do cumprimento do dever.

A Maçonaria entende por dever o respeito aos direitos dos indivíduos e da sociedade. Porém, não basta respeitar a propriedade apenas; também é necessário proteger e servir aos nossos semelhantes. A Maçonaria assim resume o dever do homem: “Respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família”. Em verdade, essa é a maior síntese da fraternidade universal.

Maçonaria não é religiosa; apenas reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual se dá o nome de Grande Arquiteto do Universo; é uma entidade espiritualista em contraposição ao predomínio do materialismo. Estes fatores, essenciais e indispensáveis para a interposição lógica do Universo, formam a base de sustentação e são as grandes diretrizes de toda a ideologia e atividade maçônica.

A Maçonaria é uma sociedade que tem por objetivo unir os homens, no sentido mais amplo e elevado do termo, e, no seu esforço de união dos homens, admite em seu seio pessoas de todos os credos religiosos sem nenhuma distinção. Portanto, não é uma religião.

A Maçonaria abriga em seu seio, homens de qualquer religião, desde que acreditem em um só Criador, o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus. A afirmação de que é necessário renunciar a religião para ser recebido Maçom foi feita durante a inquisição e difundida pela ignorância que grassava à época. Acreditada como verdade, possui resquícios até os dias atuais, principalmente entre fanáticos religiosos, ilustres prelados têm pertencido à Ordem Maçônica como por exemplo, o Cura Hidaldo, Paladino da Liberdade Mexicana; o Padre Calvo, fundador da Maçonaria na América Central; o Arcebispo da Venezuela, Dom Ramon Ignácio Mendez; o Padre Antonio Feijó; os Cônegos Luiz Vieira e José da Silva de Oliveira Rolin, (Inconfidência Mineira), Frei Miguelino, Frei Caneca e muitos outros.

A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus membros a mais ampla tolerância. Respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis, e repele toda pretensão de outorgar situações de privilégios a qualquer uma delas em particular.

A Maçonaria combate a ignorância, a superstição, o fanatismo, o orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios.

A Maçonaria não é uma sociedade secreta pela simples razão de que sua existência é amplamente conhecida. As autoridades de vários países concedem-lhe personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias, livros de histórias etc. O único segredo que existe, e não se conhece senão por meios de ingresso na Instituição, são os meios usados pelos Maçons para se conhecerem entre si, em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os ensinamentos neles contidos. Esse segredo, que de má fé e caluniosamente tem se servido os seus inimigos para fazê-la suspeita entre os espíritos cândidos ou em decadência, não é um dogma, e sim, um procedimento, uma garantia, uma defesa necessária e legítima a sua preservação.

As principais obras da Maçonaria no Brasil são: A Independência, a Abolição da escravatura e a República. Isto para citar somente os três maiores feitos da nossa história nos quais os Maçons tomaram parte ativa.

São as condições indispensáveis para ser Maçom: Crê na existência de um princípio Criador; ser homem livre e de bons costumes; ser consciente de seus deveres para com a Pátria, para com seus semelhantes e para consigo mesmo; ter uma profissão ou ofício lícito e honrado ou uma renda que lhe permita prover as suas necessidades pessoais, as de sua família, as despesas que lhe cabem na Instituição e o socorro aos mais necessitados, principalmente através das obras assistenciais sob responsabilidade da Maçonaria; não ter preconceitos de nenhuma espécie; ter um mínimo de cultura que lhe permita praticar os ensinamentos recebidos, e, por fim, ser convidado por um Maçom e aprovado pelos demais.

Em princípio, tudo aquilo que se exige de toda pessoa para o seu ingresso em qualquer outra instituição: respeito ao seu estatuto e regulamentos, além de acatamento às resoluções da maioria, quando tomadas de acordo com os princípios que as regem. No caso da Maçonaria é exigido: amor à Pátria, respeito aos governos legalmente constituídos e as leis do país; a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta correta e digna dentro e fora da Maçonaria; dedicação de parte do seu tempo para assistir às reuniões maçônicas; prática da moral, da igualdade, solidariedade humana e da justiça em toda sua plenitude. Além disso, se proíbe terminantemente, dentro da instituição ou em seu nome, as discussões político-partidárias e religiosas sectárias, porque é preferível uma ampla base de entendimento, evitando-se dessa forma, divisões por pequenas questões da vida civil.

O Templo Maçônico é o lugar onde periodicamente se reúnem os Maçons para praticar as cerimônias ritualísticas que lhe são permitidas. É um ambiente fraternal e propício para concentrar as atenções e esforços, visando, através do desenvolvimento do sentimento de responsabilidade de cada um, melhorar o seu caráter e o seu espírito. Dessa forma, os Maçons podem meditar tranquilamente sobre a missão dos homens na vida e constantemente se lembrarem dos valores eternos, cujo cultivo lhes possibilitará fortalecerem-se na verdade.

Como Maçom, o homem poderá aperfeiçoar-se espiritualmente, disciplinar-se; conviver com pessoas que, por suas palavras e obras, podem constituir-se em exemplos a serem seguidos; encontrar afetos fraternais em qualquer lugar do mundo; ter a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo em pequena parcela, para a obra moral e grandiosa do desenvolvimento humano. Terá ainda, a possibilidade de instruir-se e que, através do conhecimento adquirido, permitirá o despertar do próprio entendimento a respeito das clássicas questões: “O que sou”, “De onde venho”, “Para onde vou”. É intuitivo que o homem jamais alcançará o conhecimento pleno, mas o caminho da procura propicia conhecimentos que lhe permite antever a compreensão de si próprio e de seu papel neste mundo e lhe propicia atitudes de sabedoria. Assim, o homem e o mundo se aprimoram. O Maçom compreenderá então, que só é possível o progresso com base no respeito à personalidade, à justiça e a mais estreita solidariedade entre os homens.

Ir.’. HÉLIO LUÍS DE FRANÇA
Editor da Coluna Maçonaria