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Sem PM no estádio, briga de torcedores paralisa jogo entre Atlético-PR e Vasco

Pelo menos um atleticano e outros dois sem time identificado ficaram gravemente feridos. PM não estava dentro de campo por determinação do Ministério Público de Santa Catarina

8/12/2013 19:18

Uma briga tomou conta das arquibancadas da Arena Joinville, local da partida entre Atlético-PR eVasco, pela última rodada do Brasileirão 2013. Membros de torcidas organizadas dos dois clubes se enfrentaram e forçaram a paralisação do duelo aos 17 minutos do primeiro tempo. Os torcedores Estevão Viana, Wiliam Batista e Diogo Cordeiro da Costa foram internados em estado grave no Hospital São José. A Polícia Militar não estava dentro do estádio devido a uma determinação do Ministério Público de Santa Catarina. O time paranaense vencia por 1 a 0, e o jogo foi reiniciado mais de uma hora após a paralisação.

“Dá vontade de largar tudo e ir embora para casa. Nunca tinha visto algo assim”, falou Vagner Mancini, técnico do Atlético-PR, ao SporTV.

Veja as imagens da briga de torcedores em Joinville:

Briga entre torcedores de Atlético-PR e Vasco na Arena Joinville. Foto: CLEBER YAMAGUCHI/Agência Eleven/Gazeta Press
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A confusão começou depois que torcedores do clube paranaense, que estavam na arquibancada na parte lateral do gramado, atravessaram o espaço que os separava dos vascaínos, atrás de um dos gols, e invadiram o setor destinado aos adversários. Um atleticano foi agredido por um grupo de aproximadamente dez cariocas. Caído no chão, foi golpeado na cabeça e ficou desacordado. Mais tarde, ele foi removido do local de helicóptero e levado a um hospital próximo. Outros dois torcedores também acabaram feridos e foram encaminhados ao hospital de ambulância

O Ministério Público entrou com ação durante a última semana pedindo para que a PM atuasse somente do lado de fora da Arena Joinville. O pedido foi aprovado, e apenas cem seguranças particulares de uma empresa contratada pelo Atlético-PR trabalhavam dentro do estádio na hora da briga. Em meio ao caos, a PM entrou na Arena.

Giuliano Gomes/Gazeta Press

Policiais militares se aproximam de torcedor do Atlético-PR que se envolveu em briga

“A PM faz o trabalho na entrada e na saída dos torcedores. Foi o procedimento adotado pelo Ministério Público. Dentro estava trabalhando uma empresa privada, pois se trata de um evento privado”, explicou Adilson Moreira, comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar de Santa Catarina. O efetivo em Joinville neste domingo é de 120 policiais.

Revoltados, Roberto Dinamite e Antônio Peralta, presidente e vice vascaínos, respectivamente, afirmaram que a partida não deveria ser retomada.

“Falei com o delegado do jogo e com a Polícia Militar. Se continuar o jogo e acontecer alguma coisa, os responsaveis são eles. Não estão respeitando a vida, que é mais importante que rebaixamento e qualquer outra situação. Não foi garantido isso, não tem policiamento, isso preocupa todo mundo. Ninguém está pensando em primeira ou segunda divisão, estamos pensando nas vidas”, disse Dinamite.

“São pessoas. Isso não é um circo, isso é lazer. É um evento esportivo que tem que trazer alegria. Não aceitamos isso. Por mim, não continua”, falou Peralta.

Giuliano Gomes/Gazeta Press

Briga entre torcedores no jogo Atlético-PR x Vasco

O zagueiro Luis Alberto, do Atlético-PR, chorou com o ocorrido. “A gente fez 1 a 0. Cinco minutos depois, olha para a arquibancada e as torcidas entrando em confronto. Não tinha ninguém para conter isso. A gente tentou chegar próximo e avisar à torcida do Atlético que recuasse. Ia piorar as coisas, e piorou. São cenas lamentáveis. Tenho 20 anos de carreira, nunca vivenciei isso na minha vida. Nunca tinha passado por isso, lamento muito. Isso envolve muitas coisas. Se trata de uma Copa do Mundo no nosso país, essa imagem vai ser passada para o mundo todo. Há várias famílias. Isso é desumano. O torcedor brasileiro tem que parar de ir para os estádios e criar conflitos. Essa cena vai ficar marcada para sempre para mim”, lamentou Luis Alberto.

Em resposta à briga, torcedores do Vasco que não fazem parte de organizadas começaram a gritar “vergonha” e “timinho”.

Do Ig