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Relembre defesas, gols e peripécias do goleiro Higuita

30/04/2015 00:57

rene-higuita
Goleiro baixinho, cabeludo e com sérios problemas. Sabia jogar com os pés e não se limitava a ficar parado dentro de sua área. Cobrava falta magistralmente e de vez em quando entregava jogos com suas estripulias, assim como garantiu muitas vitórias ao defender pênaltis e marcar gols. Entrou de vez para a história do futebol ao praticar a defesa mais maluca de todos os tempos, imitando um escorpião em pleno Estádio de Wembley. Torcedores com mais de 30 anos sabem de quem estou falando e quem é mais novo precisa conhecer o goleiro colombiano René Higuita.

O Blog Futebol Internacional traz hoje um vídeo especial que circula há meses pela internet e mostra, em pouco mais de 10 minutos, um resumão da carreira deste homem de 47 anos que atualmente ganha a vida como treinador de goleiros do Al Nassr, da Arábia Saudita. Higuita povoou o imaginário de muita criança ao arriscar a própria sorte em lances que pareciam complicados demais para um goleiro. Mas o pior é que, na maioria dos casos, ele conseguia dar um jeito na situação, livrando seu time de sofrer um gol e armando perigosos contra-ataques na sequência.

Alguns dos lances mais malucos do fim dos anos 80 e começo da década de 90 tiveram Higuita como protagonista. Na final da Copa Libertadores da América de 1989, por exemplo, seu Nacional de Medellin lutava para vencer o Olimpia do Paraguai por 2 a 0, placar mínimo para tentar a sorte nos pênaltis. O goleiro maluco parecia não estar nem aí para isso e saía da sua trave com a bola dominada. Um perigo danado. Só que nenhum rival conseguia tirar a bola  de Higuita. Moral da história? O Nacional fez 2 a 0, Higuita defendeu três pênaltis e foi campeão da Libertadores.

A maior burrada da vida de Higuita foi perder a bola para Milla na Copa de 1990

E o que falar da Copa do Mundo de 1990? Foi a Copa da chatice, dos placares magros, mas também a Copa de duas belas surpresas: Colômbia e Camarões. Quis o destino que as duas seleções se encontrassem nas oitavas de final. Aí, o herói René Higuita teve seu dia de vilão. Foi tentar dar uma finta a 40 metros do gol em plena prorrogação, perdeu o domínio da bola e viu o camaronês Roger Milla marcar o gol que decretou a eliminação colombiana daquele Mundial. Uma pena, mas que mostra o quanto nosso personagem de hoje era miolo-mole.

Higuita também apareceu nas páginas policiais dos jornais, por ficar preso durante seis meses em 1993, acusado de ter entrado de cabeça em um sequestro na Colômbia. Anos depois, ele foi declarado inocente e até chegou a receber uma indenização da Justiça colombiana em 2008, porém insuficiente para corrigir a maior perda causada pelo episódio: a não convocação pelo treinador Francisco Maturana para a seleção da Colômbia que disputou a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Aquela Copa em que eles eram favoritos ao título e caíram logo na 1ª fase.

Coincidência ou não, depois da acusação do sequestro, René Higuita voltou ao esporte mais louco que o Batman. Levou seu time, o Nacional de Medellin, quase que solitariamente à final da Copa Libertadores da América de 1995. E isso não se trata de um exagero, mas sim da pura verdade. Na semifinal contra o River Plate, o Nacional venceu na Colômbia por 1 a 0 com um gol de falta de Higuita. Na volta, em Buenos Aires, perdeu por 1 a 0 e teve que decidir a parada nos pênaltis. Quem estava lá? Higuita, que pegou uma cobrança e classificou sua equipe à decisão, perdida para o Grêmio.

René Higuita viveu tempos de ostracismo na década passada, foi suspenso por doping que apontou consumo de cocaína e jogou bola nas divisões inferiores do Equador, Colômbia e Venezuela, aposentando-se em janeiro de 2010, aos 43 anos de idade. Ainda assim, e talvez por justamente ser assim, é tão adorado pelos colombianos a ponto de ter um personagem de novela inspirado em sua história. E a tal novela da TV Caracol (praticamente a Rede Globo colombiana) virou líder de audiência! Esta é um pouquinho da história de René Higuita. Um goleiro que dava alegria de ver jogar. E um alívio por ele não ser de seu time.