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Corrupção na arbitragem da Paraíba? “Áudio-bomba” vira caso de polícia

23/03/2017 13:11

Quanto tempo é necessário para colocar em xeque toda a credibilidade da arbitragem da Paraíba? Dez anos? Cinco anos? Uma temporada inteira? Que nada! Um áudio de apenas 1min29s, gravado aparentemente via WhatsApp e sem paternidade assumida, está provando que tudo pode ruir bem mais rápido do que se parece a princípio. E é exatamente isto o que está acontecendo ao longo desta semana, num momento em que a primeira fase do Campeonato Paraibano de 2017 se encaminha para a sua reta final.

O caso é aparentemente simples. Mas ao mesmo tempo devastador. Um áudio atribuído ao zagueiro Walter (atualmente no Rio Claro, mas que jogou no Botafogo-PB em 2015) detalha o que parece ser um esquema de compra de árbitros que seria orquestrado por dirigentes do Belo. O arquivo de áudio se tornou público na segunda-feira e rapidamente se espalhou. Chegou à torcida, à imprensa e aos dirigentes. Que começaram a se mobilizar, seja para se defender (no caso do Botafogo), seja para atacar o rival (no caso do Auto Esporte, citado no áudio como um dos clubes prejudicados).

E neste turbilhão que se transformou os bastidores do futebol paraibano, o caso chegou à polícia. À Federação Paraibana de Futebol. À Comissão de Arbitragem da Paraíba.

É importante dizer que o próprio Walter, dois dias depois do primeiro áudio aparecer, gravou um segundo áudio. E este foi oficialmente divulgado pela FPF, que tenta apaziguar os ânimos e minimizar os efeitos das acusações. Neste segundo áudio, um Walter que está claramente desconfortável e lendo um texto desmente ser ele o autor das acusações.

– Boa tarde, aqui quem está falando é o Walter. Sobre o áudio que tem circulado no whatsapp, venho a esclarecer que encaminhei para os meus advogados e para o jurídico do Sindicato dos Atletas para que tomem as devidas providências. Uma vez que não falei nem muito menos acusei ninguém. Trata-se de uma gravação clandestina, uma montagem. Tenho muito respeito pelo Botafogo da Paraíba, onde joguei. Nunca presenciei ato que desabonasse arbitragem, muito menos meu ex-clube. Acredito ser uma perseguição para me estabilizar e manchar minha impecável carreira, tendo em vista que no início de abril tenho uma audiência trabalhista na Paraíba.

Não funcionou. Ou, ao menos, não foi suficiente para encerrar o debate e as trocas de acusações que prosseguem entre dirigentes, que prometem ir até o fim em busca de respostas. Belo e Auto já disseram que vão exigir apurações do caso, ainda que para motivos diferentes.

A ACUSAÇÃO

Como dito, não se tem como afirmar categoricamente que se trata mesmo do zagueiro Walter no áudio que iniciou toda a polêmica. Mas as palavras são duras. E mexeram com as partes citadas.

O contexto do áudio (seja ele verídico ou não) é facilmente identificável. Trata-se de uma pessoa respondendo a um amigo (o nome deste amigo é citado no início da fala, mas o nome é de difícil entendimento) sobre se vale a pena jogar futebol profissionalmente na Paraíba. A resposta, atribuída ao zagueiro, é violenta. E grave:

Esquema do caralho nesta Paraíba, mano. Roubam na cara de pau. (…) Ali é foda. É muito sujo. Os caras são safados demais”.
Fala em áudio atribuída a ex-jogador do Botafogo-PB, sobre compra de árbitros no Campeonato Paraibano de 2015

– Já joguei lá, mano. O Breno paga os caras. Juiz… paga tudo, mano, para ganhar. É a maior várzea, mano. E os caras se vendem lá mesmo, mano. Dá 50 mil pros caras. E os caras se vendem tudo lá. Maior zica – fala-se numa parte do áudio.

Depois, num trecho mais emblemático, que resume bem o rumo da conversa, ouve-se:

– Ali nem adianta. Esquema do caralho nesta Paraíba, mano. Roubam na cara de pau.

A última parte do áudio é a que seria mais esclarecedora. A que a pessoa descreve como seria o esquema:

– Sabe como eles faziam? Ele chegava no vestiário. Chegava no atacante: “Já está tudo certo. Chegar na área, dá o tapa e cai, que ele vai dar o pênalti”. Eu ficava olhando e pensava: “mentira, não precisa”. E tipo assim, contra time pequeno. Não precisa. O Botafogo ia ganhar, se o jogo fosse normal. Aí teve um último jogo que a gente foi vice-campeão. A gente precisava ganhar para ficar com a vaga na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste. Aí ele chegou: “O juiz já está comprado. É só a gente fazer o que tem que fazer certo. Já está tudo pago. Na dúvida, vai dar para a gente. Se estiver na dúvida para dar pros caras, vai dar pra gente também. Falei: “Não precisa”. A gente ganhou o jogo sem o juiz dar pênalti nem nada. Até fiz gol neste jogo. A gente ganhou de 4 a 0 do Auto Esporte. E mesmo assim já estava comprado. Ali é foda. É muito sujo. Os caras são safados demais.

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