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Copa do Mundo; Krul sai do banco nos pênaltis, para Costa Rica e leva Holanda à semifinal

Goleiro foi colocado pelo técnico Louis Van Gaal especialmente para a disputa por pênaltis após empate sem gols em 120 minutos de bola rolando. Próximo rival dos europeus é a Argentina

5/07/2014 20:31

Discutiu-se muito de quais formas Holanda e Costa Rica se comportariam taticamente para o duelo pelas quartas de final da Copa do Mundo, neste sábado, na Fonte Nova. Um olhar às linhas formadas pelos jogadores fazia essa identificação ser fácil. Mas com bola rolando, o sistema de jogo era outro. Os europeus passaram 120 minutos acionando Robben, que partia para cima da marcação. Os latinos resumiram a atuação da seguinte forma: retranca total, e que Keylor Navas se vire debaixo do gol.

AP

Tim Krul defende a cobrança de Brian Ruiz

O camisa 11 holandês e o arqueiro costarriquenho foram os elementos que deram mais emoção à partida após placar zerado no tempo normal e na prorrogação. Salvador, a cidade-sede dos gols, que viu 28 redes balançadas em cinco partidas, se despediu da Copa com um 0 a 0. Mas quem disse que não haveria surpresas? Colocado em campo apenas para as cobranças de penalidades, Tim Krul não poderia ter estreia melhor neste Mundial: defendeu duas cobranças, de Bryan Ruiz e Umaña, e colocou os europeus na semifinal.

Vice-campeã em 2010, a Holanda segue o sonho do primeiro título mundial e terá pela frente a Argentina, no próximo dia 9, em São Paulo, por um lugar na decisão. Já a Costa Rica encerra de cabeça erguida seu sonho dourado nesta Copa, após uma inédita presença nas quartas de final derrubando três campeões mundiais na fase de grupos (Inglaterra, Itália e Uruguai).

Veja imagens de Holanda x Costa Rica

Holandeses comemoram a classificação para a semifinal . Foto: Getty Images
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Quem é retranqueiro?

Criticada pelo excesso de zelo na defesa em alguns jogos desta Copa, a Holanda foi a campo com uma proposta um pouco mais audaciosa. Sem a bola, formava a já tradicional linha com cinco homens à frente da área, mas quando ia ao ataque se desenhava um 3-4-3, com Robben e Depay abertos e Van Persie centralizado.

A Costa Rica, conforme avisou o técnico Jorge Luis Pinto na véspera do jogo, apostou no setor defensivo, seu ponto forte no torneio, e também se protegia com cinco jogadores. Com pouco espaço, a Holanda trocava passes, mas encontrou suas melhores oportunidades em contra-ataques. Furar o bloqueio rival estava tão complicado que a primeira chance aconteceu aos 21 minutos, com duas defesas de Keylor Navas em chutes de Van Persie e Sneijder, no rebote.

Cobiçado por grandes clubes europeus por conta de sua performance na Copa, o goleiro de Costa Rica, que defende o Levante, da Espanha, evitou outras duas oportunidades da Holanda, com Depay e Sneijder, em cobrança de falta ensaiada.

Com atenção total na defesa, o setor ofensivo de Costa Rica pouco criou. Bryan Ruiz e Campbell estavam apagados e o único chute a gol veio em bola alçada na área por Bolaños, aos 34 minutos, que Borges finalizou desequilibrado.

As poucas chances de gols criadas no primeiro tempo – cinco, sendo quatro holandesas – irritaram um pouco a torcida, que chegou a vaiar. Houve apenas um grito uníssono, em homenagem a Neymar, fora da Copa após ter uma vértebra fraturada na partida contra a Colômbia, em falta cometida por Zuñiga.”Olê, olê, olê olê! Neymar! Neymar!”, cantou o público na Fonte Nova.

Navas x Robben

A partida ganhou mais movimentação após o intervalo, mas as dificuldades para vazar a defesa da Costa Rica continuaram. Era com Robben pelo lado direito que o ataque fluía melhor. Após falta sofrida (sem simulação, diga-se), o camisa 11 rolou para Sneijder, que bateu por cima do gol.

Reprodução

Arma Secreta de Van Gaal

Os latinos, mesmo com o apoio da torcida, insistiam nos cruzamentos. Apático, o atacante Joel Campbell deixou o campo aos 20 minutos para a entrada de Ureña, e não gostou. O cenário ofensivo, porém, não mudou. Já Navas seguia no mesmo ritmo, fazendo grandes intervenções até quando o lance nada valia, como aos 34, em cabeçada de Lens à queima-roupa, e em impedimento. Dois minutos depois, ele não alcançou a falta batida por Sneijder, parada pela trave, mas evitou o gol de Van Persie dentro da área, na sequência.

Bola na trave, impedimento, furada do atacante… Goleiro bom também precisa ter sorte, e Navas mostrou estar com esse atributo em dia aos 42 minutos, quando Van Persie errou o chute na pequena área após cruzamento de Sneijder. E que tal nos acréscimos, com Tejeda salvando em cima da linha – a bola ainda bateu na trave – no arremate de Van Persie?

Sempre há uma primeira vez

Placar inalterado após os 90 minutos, era hora da prorrogação, a primeira da Holanda nesta Copa e a segunda da Costa Rica, mas o panorama era o mesmo: Robben puxava sua seleção para o ataque e Navas se desdobrava para evitar o gol. Aos três minutos, o camisa 11 europeu bateu escanteio na cabeça de Vlaar e o goleiro latino espalmou.

Robben jogava em pé, com velocidade e habilidade. Com tanto receio de uma simulação de falta por parte da Costa Rica, Ureña resolveu testar a arbitragem e mergulhou na área após tranco de Vlaar, mas o uzbeque Ravshan Irmatov mandou o jogo seguir.

Depois de tanta tática, os minutos finais do tempo extra foram puro coração, com as duas equipes se lançando à frente sem temer contra-ataques, o que inflamou os 51.179 presentes na Fonte Nova. Ótimo motivo para a Costa Rica acordar e quase evitar as penalidades com Ureña, em bela defesa de Cillesen. Houve tempo também para Sneijder acertar o travessão.

Gênio ou sortudo?

O lance que causou surpresa ao fim da prorrogação acabou decidindo os futuros de Holanda e Costa Rica na Copa. Com uma substituição a fazer e na iminência dos pênaltis, Louis Van Gaal sacou o titular Cillesen, que deixou o campo indignado, para a entrada de Krul no gol. É aquela aposta que consagra ou derruba um treinador.

Van Gaal manteve-se em pé, e agora com mais moral depois de tantas rusgas com parte dos holandeses que criticam seus métodos. Krul, goleiro do Newcastle, pulou no canto certo nas cinco cobranças da Costa Rica. Os chutes de Bryan Ruiz e Umaña pararam nas mãos do herói inusitado. Van Persie, Robben, Sneijder e Kuyt converteram seus chutes, o tantas vezes herói Keylor Navas nada pôde fazer, e cravaram os holandeses nas semifinais.

FICHA TÉCNICA

HOLANDA 0 (4) X (2) 0 COSTA RICA

Local: Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 5 de julho de 2014, sábado
Horário: 17 horas (de Brasília)
Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão). Assistentes: Abduxamidullo Rasulov (Uzbequistão) e Bakhadyr Kochkarov (Cazaquistão)
Cartões Amarelos: Huntelaar e Martins Indi (Holanda); Díaz, Umaña, Gonzalez e Johnny Acosta (Costa Rica)

HOLANDA: Cillesen (Krul), Vlaar, De Vrij e Martins Indi (Huntelaar), Blind, Wijnaldum, Kuyt e Sneijder; Robben, Depay (Lens) e Van Persie
Técnico: Louis Van Gaal

COSTA RICA: Navas, Johnny Acosta, Gonzalez e Umaña; Borges, Tejeda (Cubero), Gamboa (Myrie), Díaz, Bolaños e Bryan Ruiz; Campbell (Ureña)
Técnico: Jorge Luis Pinto

Por Ig.