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Após atraso e polêmica, Maracanã é reaberto

Após mais de dois anos em obras, estádio foi reaberto com um show de artistas brasileiros seguido por um jogo entre amigos dos ex-jogadores Bebeto e Ronaldof

27/04/2013 23:18

Após mais de dois anos em obras, o Estádio Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, foi reaberto na noite deste sábado com um show de artistas brasileiros seguido por um jogo entre amigos dos ex-jogadores Bebeto e Ronaldo. A partida, exclusiva para convidados e operários que trabalharam na reforma do estádio, foi considerada o primeiro evento-teste do Maracanã, que será entregue à Fifa oficialmente no próximo dia 24 de maio. O jogo terminou com o placar de 8 a 5 para os amigos do Ronaldo.

O clima era de festa no entorno do estádio, mas do lado de fora manifestantes fizeram um pequeno protesto, carregando faixas com frases como “O Maracanã é nosso”.

Maracanã reabre com jogo entre Amigos de Ronaldo e Amigos de Bebeto. Foto: Wagner Meier/Agif/Gazeta Press
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Ao final do primeiro tempo, o ex-jogador Ronaldo, atual integrante do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014, comentou a reforma. “O gramado está maravilhoso. A bola está correndo igual a campo de futebol europeu. É uma honra estar aqui nesse momento. O Maracanã é um símbolo do Brasil”, disse Ronaldo ao fim do primeiro tempo em entrevista ao canal SportTV.

Cerca de 27 mil pessoas participaram do evento deste sábado, número equivalente a 30% da capacidade total do novo Maracanã, de 78.639 pessoas. A reinauguração do estádio contou com a presença da presidente Dilma Rousseff, que chegou ao local depois da 18h, a convite do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou do evento de reabertura.

O show começou com apresentações dos cantores Naldo, Martinho da Vila, Neguinho da Beija-Flor e Preta Gil. Antes de a partida começar, foi a vez de os cantores Fernanda Abreu, Eduardo Dusek, Sandra de Sá e Ivan Lins, vestidos com as camisas dos quatro grandes clubes cariocas, Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense, respectivamente, interpretarem o Hino Nacional.

Além do jogo deste sábado, haverá outros dois antes da Copa das Confederações, no dia 15 de junho: uma no próximo dia 15 de maio, com 50% da capacidade do estádio, e outra no dia 2 de junho, quando Brasil e Inglaterra se enfrentam em um amistoso.

Polêmicas

Cercada de polêmicas, a reforma, que tem índice de conclusão de 97% (faltam catracas e bilheterias, além de retoques na área externa), custou R$ 859,5 milhões, acima da previsão oficial de R$ 705 milhões. O redesenho do Maracanã, que começou em agosto de 2010, foi bancado inteiramente por recursos públicos e realizado pelas construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez.

Inicialmente, a construtora Delta, de Fernando Cavendish, participava do consórcio, mas abandonou as obras em abril do ano passado, alegando dificuldades financeiras. A saída da Delta coincidou com acusações de envolvimento de Cavendish com o esquema ilegal do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Ao longo da reforma, o custo da obra também chegou a ser elevado para R$ 956,8 milhões, mas após um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) apontar sobrepreço, a reforma foi reavaliada e seu preço reduzido para o valor atual, de R$ 859,5 milhões. Além disso, o estádio também foi palco de uma manifestação de indígenas contra a demolição do Museu do Índio, que agora será restaurado pelo vencedor da licitação do complexo.

Licitação

No início deste mês, foi feita uma licitação para definir quem administrará pelos próximos 35 anos não só Maracanã, mas também o Ginásio Gilberto Cardoso, conhecido como Maracanãzinho, e as áreas do entorno, que compõem o chamado Complexo Maracanã. Apesar de os envelopes com os valores ofertados já terem sido abertos, o vencedor ainda não foi revelado.

Dois consórcios disputaram o certame: o Maracanã S/A, formado pelas empresas brasileiras IMX, Odebrecht e Andrade Gutierrez, e o Complexo Esportivo e Cultural do Rio, composto pela brasileira OAS, a holandesa Stadion Amsterdam e a francesa Lagardère Unlimited. Houve críticas porque uma das empresas interessadas na licitação, a IMX, do empresário Eike Batista, foi encarregada de realizar o estudo de viabilidade econômica do complexo.

Segundo o levantamento, os lucros do vencedor da licitação podem chegar a R$ 1,4 bilhão durante o período da concessão. O responsável pela gestão, operação e manutenção do complexo também terá de realizar, por sua conta e risco, uma série de ações e intervenções no entorno do estádio, as chamadas “obras incidentais”, no valor de R$ 594 milhões.

Caso o valor gasto seja inferior a esse montante, a diferença deverá retornar aos cofres do governo. A empresa vencedora também terá de implantar um Museu do Futebol e um estacionamento no entorno do estádio, além de restaurar o antigo Museu do Índio, que até recentemente era ocupado por indígenas. Em contrapartida, a concessionária terá o direito de explorar economicamente o Maracanã e o Maracanãzinho, realizar atividades comerciais nas áreas do entorno do estádio, além de poder explorar e licenciar a marca Macaranã, inclusive para fins publicitários.

Nos termos da licitação, também está previsto que a empresa que ganhar o certame terá de pagar um mínimo de R$ 4,5 milhões anuais ao governo, uma espécie de “aluguel” pelo espaço, durante os próximos 35 anos (porém, não haverá pagamento nos dois primeiros anos).

Do Ig