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Eterno Amor; Pablo Milanes e sua esposa Iolanda Benet

9/07/2018 00:22 677 views

 

Pablo Milanes Yolanda – A história por trás da música

As mulheres e suas canções… vou me referir hoje à Yolanda, uma bela música escrita pelo compositor cubano Pablo Milanés, para sua então mulher, Yolanda Benet. Ele teve que viajar logo após o nascimento da primeira filha do casal, e retornou com uma declaração de amor, “romântica”, de alguém que naquele momento encontrou alguém que “acompanha a solidão” do autor, uma canção confessional, declarada, verdadeira, daqueles momentos em que o sentimento apaixonado é bobo e bonito, daqueles em que o casal, se morrer, quer morre junto…
Imagino a emoção de Yolanda a receber essa música… no brasil, ganhou uma versão gravada por Chico Buarque e Simone… bem fiel à letra inicial…

Pablo Milanes e sua esposa Iolanda Benet

 

 

 

 

Interessante é que, cinco anos depois eles se separaram… o que não deixa de tornar eterno o que sentiam…Graham Greene disse, certa vez, que  “a eternidade não é uma extensão do tempo, mas uma ausência de tempo“, isto é, “um ponto matemático da infinidade“. As contradições que o tempo impõe ao amor como o de Pablo para Yolanda não existem no nesse “ponto matemático da infinidade“, a que se refere Graham Greene…
Tanto que a música permaneceu…Yolanda Benet, entrevistada pela revista Marie Claire em 200, deu um depoimento sobre a canção:
“Conheci Pablo na casa de um amigo comum, em Havana. Eu tinha 23 anos e era continuísta de cinema. Casualmente, três dias depois começamos a trabalhar juntos em um filme e nos apaixonamos. Pablo compôs ‘Yolanda’ quando nossa primeira filha tinha dez dias. Ficou chateado por ter de viajar. Quando regressou, trouxe a canção. Eu estava com Linn nos braços, dando-lhe o peito, e ele me disse: ‘Olha o que fiz para você’. Pegou o violão e cantou ‘Yolanda’. É uma sensação inesquecível. Não posso traduzir a emoção que até hoje sinto quando me recordo dessas coisas. Nunca houve momento mais importante em minha vida. Ali estava resumido tudo o que ele sentia, todo o amor que sentíamos um pelo outro. Foi muito emocionante. 

Pensei que aquela canção era algo íntimo, que só eu poderia compreender o que Pablo estava dizendo. Mas parece que ele fez com tanto amor que todos são capazes de entender. É uma música que se canta no mundo inteiro. Ele já quis tirá-la do repertório e nunca conseguiu. É impressionante como as coisas do coração transcendem. Ao mesmo tempo, sinto que cada pedacinho da letra é um pedacinho do que vivemos. A letra é algo muito pessoal para mim, falar sobre ela é como falar de minha intimidade, até me incomoda.

 

 

 

 

 

Nunca deixei de ser amiga de Pablo. Entre nós nunca existiram rancores. Duas de nossas filhas são cantoras. Há pouco tempo cantaram a canção em um show com o pai, em duas vozes. Me acabei em lágrimas. Sempre me emociono com a música, sobretudo quando a cantam bem. Gosto da versão brasileira, de como Simone e Chico Buarque cantam. Vi Chico uma vez na casa de Pablo, mas não tive o prazer de conversar com ele. Fomos apresentados também em um hotel, em Varadero, mas ele não deve se lembrar. Estávamos em um grupo e pedi que não dissessem que eu era a Yolanda da música. Não gosto de usar isso como um título. Não sei explicar o sucesso de ‘Yolanda’, não me considero uma mulher especial. Sou uma pessoa comum.”

EM DUETO COM CHICO BUARQUE, PABLO MILANÉS APRESENTA A CANÇÃO “YOLANDA” NO PROGRAMA CHICO & CAETANO, NA TELEVISÃO BRASILEIRA, EM 1986.

PABLO MILANÉS

 

Foi em 1976 que o artista cubano lançou seu primeiro álbum comercial, intitulado Pablo Milanés, composto integralmente por canções suas. Antes, tinha produzido dois outros discos especiais, musicando versos dos maiores poetas de Cuba. O primeiro LP, de 1973, foi dedicado a José Martí, enquanto o segundo, de 1975, trouxe canções feitas a partir de 11 poemas de Nicolás Guillén.

 

 

No álbum de 1976, lançado em alguns países com o título La vida no vale nada, as canções são todas de Pablo, letra e música. Mostram-se alinhadas não apenas com os princípios da nueva trova cubana — movimento musical que ele tinha ajudado a criar sob influência da revolução castrista — mas também com a nueva canción chilena, uruguaia, argentina, e também com as canções de protesto do Brasil. Entre as faixas, destacam-se “Yo pisaré las calles nuevamente” e “Canción por la Unidad Latinoamericana“.

 

 

Na primeira, o autor evoca o golpe militar no Chile e o assassinato de Salvador Allende no Palácio de La Moneda, para afirmar sua previsão de que dias melhores viriam, com a deposição de Pinochet e o resgate da liberdade. “Pisarei as ruas novamente/ do que foi Santiago ensanguentada/ e numa bela praça liberada/ me pegarei a chorar pelos ausentes/ (…) Voltarão os livros e as canções/ que as mãos assassinas queimaram./ Meu povo renascerá de sua ruína/ e os traidores pagarão.”

 

 

 

Na segunda, expõe sua incompreensão diante da lista de conflitos que, historicamente, separaram os povos latinos, propondo sua reaproximação: “Cumpriram a tarefa de desunir nossas mãos/ e, apesar de sermos irmãos, nos vemos com temor”, diz. Na última estrofe, Pablo Milanés registra claramente sua filiação ideológica: “Bolívar atirou uma estrela, que junto de Martí brilhou/ Fidel a dignificou para andar por essas terras.”

 

 

 

A arte de Pablo já era conhecida pelos cubanos muito antes desse álbum. Em 1967, quando Havana sediou o 1º Encuentro Internacional de la Canción Protesta, o jovem compositor, às voltas com o serviço militar, esteve presente, absorvendo as sonoridades e as realidades políticas de dezenas de países.

 

 

 

 

Já no ano seguinte, foi admitido no Centro de la Canción Protesta, estatal, de onde despontaram os três artistas que formaram o Grupo de Experimentación Sonora del ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica), com a prerrogativa de criar trilhas sonoras para os filmes feitos na ilha: Pablo Milanés, Silvio Rodríguez e Noel Nicola. Na virada da década, esses mesmos artistas formulariam a nueva trova.

 

 

 

Par a par com Silvio Rodríguez, autor de “Pequeña Serenata Diurna”, Pablo Milanés se firmou como o maior nome da nueva trova e correu o mundo ao longo dos anos 1970 e 1980. Sua música se disseminou no Brasil, trazida pelas mãos de intérpretes como Chico Buarque e Milton Nascimento.

 

 

Já em 1978, “Canción por la Unidad Latinoamericana” foi gravada por Milton e Chico, em dueto, e incluída no LP Clube da Esquina 2, do lendário coletivo mineiro. Chico, que o conheceu em sua viagem a Cuba, em 1978, convidado pela Casa de las Americas para ser jurado num concurso literário, voltaria a gravar músicas de Pablo Milanés. Nesse sentido, destaca-se a gravação de “Como se Fosse a Primavera“, em espanhol e em português, com a participação do próprio Pablo, no LP de 1984, a partir da adaptação feita por Chico para “Canción (De que Callada Manera)”, de Milanés e Nicolas Guillén. Em 1986, repetiriam o dueto em “Yolanda”.

 

 

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