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“Django Livre” mostra Quentin Tarantino em ótima forma

Inspirado pelos "spaghetti western", filme conta história de escravo liberto em busca da amada

18/01/2013 09:24

 

jango

“Django Livre” é um dos pontos altos da carreira de Quentin Tarantino. Diferentemente de muitos dos cineastas em atividade, é ele quem desenvolve o argumento de seus filmes, responsabilizando-se não apenas pela direção, mas também pelo roteiro.

No caso, foi Tarantino quem propositalmente decidiu ambientar seu “spaghetti western”,  subgênero cinematográfico conhecido no Brasil como “faroeste-espaguete”, no período pré-Guerra Civil Americana, indo das vastas paisagens do Texas até as fazendas de algodão do Mississippi. Uma escolha que o próprio diretor admitiu  deixá-lo com receio no início do projeto.

Christoph Waltz e Jamie Foxx, caçador de recompensas e escravo liberto. Foto: Divulgação
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O fato é que falar de escravidão nos Estados Unidos é mexer num vespeiro. As questões raciais permanecem um tema delicado e, por causa de Tarantino, o assunto voltou a ser debatido na mídia norte-americana. De acordo com o cineasta, a preocupação em encenar o cotidiano dos escravos com atores locais só passou após uma conversa com Sidney Poitier, o primeiro artista negro a ganhar umOscar . Na ocasião, Poitier disse ao diretor que ele “não poderia ter medo do próprio filme”.

Isso não impediu que o longa fosse recebido com polêmica. Um fragmento da controvérsia causada pela história envolve o cineasta Spike Lee, que deixou claro que não assistirá ao filme por considerá-lo desrespeitoso com seus antepassados.

 

 

Divulgação

Leonardo DiCaprio em “Django Livre”

Só a atitude ousada de Tarantino já valeria o ingresso de “Django Livre”. Porém, esse é apenas um dos fatores que colabora para abrilhantar o sétimo filme da carreira do cineasta – considerando as duas partes de “Kill Bill” (2003) como uma única história.

Na trama, o escravo Django (Jamie Foxx) é libertado pelo caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz), que precisa de auxílio para identificar alguns homens procurados. Em troca da ajuda, o pistoleiro promete uma parte da recompensa ao jovem negro.

Sensibilizado por detalhes da história do ex-escravo, Schultz decide auxiliar Django na busca por sua mulher, a escrava Broomhilda (Kerry Washington). Em sua missão, a dupla acaba parando nas terras do escravagista Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), o jovem proprietário de uma das maiores plantações de algodão do Mississippim, cujo hobby é organizar lutas de escravos até a morte.

Tarantino aproveita a jornada de seu protagonista para explorar as relações dos norte-americanos naquele período. Ao lado de Schultz, que por ser europeu não se encontra devidamente inserido na dinâmica da escravidão, o público adentra um mundo brutal e desigual, que para seus habitantes permaneceria assim para sempre. Esse é um dos pontos chave para a compreensão do personagem Stephen, interpretado por Samuel L. Jackson.

Como o negro que gerencia a “casa grande” da fazenda Candyland, é ele quem mais se incomoda com a presença de Django, um ex-escravo que porta uma arma e cavalga – algo impensável para os moradores da região, fossem negros ou brancos.

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A jornada, é claro, não deixa de contar com homenagens de Tarantino aos spaghetti western, como a presença do ator italiano Franco Nero, o primeiro Django do cinema, além das marcas registradas do cineasta, como sequências extremamente violentas, diálogos ácidos e engraçados e uma trilha sonora impecável.

“Django Livre” mostra que Quentin Tarantino refina, a cada filme, seu modo particular de contar histórias. Desde já, um clássico.

Jamie Foxx, o protagonista de ‘Django Livre’. Foto: Divulgação
Leonardo DiCaprio, o vilão de ‘Django Livre’. Foto: Divulgação
Samuel L. Jackson e Kerry Washington em ‘Django Livre’. Foto: Divulgação
‘Django Livre’, de Quentin Tarantino. Foto: Divulgação
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