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Bottega Veneta e Burberry miram mercado brasileiro com alta perfumaria

Perfumes em vidros de luxo voltam a despertar desejos, agora também no Brasil

30/01/2013 05:57

perfume

O glamour da alta perfumaria está de volta. O lançamento recente da Eau de Parfum da Bottega Veneta em vidro de murano assinado por Tomas Maier ao preço de R$ 3.975 (50 ml), marcou uma tendência que já se pode farejar em todo o mundo e que tem força para seduzir apaixonados consumidores também por aqui: o retorno de perfumes em tiragens especiais, vendidos em frascos que são verdadeiras obras de arte.

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Eau de Parfum da Bottega Veneta em vidro de murano assinado por Tomas Maier, R$ 3.975 (50 ml). Foto: Divulgação
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“Existe um movimento voltado para a perfumaria de nicho que traz produtos mais seletivos e o Brasil é o maior mercado de perfumes do mundo há dois anos; então, é natural que, num momento de revalorização das tradições, as empresas se posicionem dessa forma e queiram também estar presentes no Brasil”, explica Renata Ashcar, especialista em perfumes e consultora do Espaço Perfume Arte + História, instituto que se dedica a registrar 5 mil anos da história do perfume e suas relações com outros campos do consumo.

Uma joia, muitos luxos
Depois que a grife DKNY decidiu dar ao seu tradicional perfume Golden Delicious o status de uma joia, criando uma única peça feita de ouro e com mais de 2.900 pedras preciosas, para ser admirada ao redor do mundo em exposições e depois ser vendida por US$ 1 milhão (cedidos para caridade), em 2011, o que se viu foram outras grandes marcas bebendo da mesma fonte, mas sem a expectativa de ter um único exemplar-arte. A exclusividade de um frasco assinado ganhou novos adeptos e edições limitadas que, embora pouco divulgadas no Brasil, estão disponíveis para colecionadores do mundo inteiro.

Se no segundo semestre de 2012, a Guerlain decidiu somar a elegantes frascos da fragrância Shalimar peças da tradicional joalheria Gripoix (preço não definido), outras marcas preferiram apostar na clássica arte da vidraçaria para tornar os próprios frascos objetos de desejo. A tradicional Lalique apresentou a edição limitada de Libellule, um frasco de 100 ml que reproduz em cristal negro e translúcido o pouso de uma libélula sobre as águas. Preço? US$ 1.800.

Divulgação

O Golden Delicious, da NKNY, ganhou status de joia por ter frasco em ouro, com mais de 2.900 pedras preciosas

Já a Dior trouxe uma tiragem exclusiva para o famoso J’Adore L’Absolu, com vidro finamente decorado pelo designer Jean-Michel Othoniel. O trabalho foi executado em Murano, pela Salviati, e a unidade de 40 ml custa US$ 3.500. A francesa Lancôme escolheu a cristaleria Brosse para assinar o vidro de 3 kg com 450 ml da “edição prestigie” de La Vie Est Belle, com apenas 146 peças numeradas que custam US$ 1.990.

Também a Armani decidiu dar novo brilho ao mais original perfume da marca: nasceu assim o Armani Crystal Edition, com apenas 100 frascos assinados pela Cristaleria Saint-Louis. Inicialmente disponíveis apenas na Maison Giorgio Armani da avenida Montaigne, em Paris, o frasco vem com 30 ml da fragrância feminina (mais duas recargas) e custa 5 mil euros cada.

As altas cifras do mercado de luxo por aqui também seguem animando grandes marcas. Assim como a Bottega Veneta trouxe ao Brasil sua versão especial com base que remete ao tressê de suas bolsas, a Burberry anunciou a vinda de uma linha especial do tradicional Body, composta por apenas 156 frascos (em comemoração ao 156º aniversário da marca). Produzidos pela Baccarat e com uma corrente de ouro, o frasco tem 45 ml e custa o equivalente a US$ 2.700.

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Memória olfativa
A história da perfumaria se cruza com a do design desde o começo do século 20, quando as joias art nouveau de René Lalique e os luxuosos utilitários de cristal Baccarat chamaram atenção de industriais do mercado de perfumes. Em parceria com marcas como Coty, Guerlain, Roger & Gallet e outras, os designers vidreiros criaram verdadeiras obras de arte em meados dos anos 20 e 30. À medida que a arte vidreira ganhava mais prestígio artístico, as peças deixavam de circular rotineiramente para se tornar embalagens especiais em pequenas tiragens e para colecionadores.

Enquanto guardávamos na memória olfativa e afetiva esses objetos lendários, sua essência (o perfume) foi, aos poucos, tornando-se a porta de entrada para o mercado de luxo – o produto que embala o conceito de marcas tradicionais para uma classe média abastada e ansiosa por consumir exclusividades. E foi justamente a disposição de uma faixa mais larga da população por compras de luxo que instigou marcas do mundo inteiro a devolver o glamour à alta perfumaria.

A Lalique criou edição limitada do Libellule, com frasco em cristal negro translúcido. Preço? US$ 1.800 . Foto: Divulgação
O J’Adore L’Absolu, da Dior, ganhou vidro finamente decorado pelo designer Jean-Michel Othoniel. Foto: Divulgação
Do Ig