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Antonia Fontenelle: ‘Não descarto um dia me relacionar com uma mulher’

28/07/2013 19:20

 

Resolvi escrever este texto em primeira pessoa justamente por tratar-se desta mulher. Quem quiser entender isso como um mea-culpa, sinta-se à vontade. O fato é que admito aqui que a minha relação com a Sra. Antonia Fontenelle começou repleta de preconceitos da minha parte e, talvez, recheada de clichês a respeito da classe jornalística da parte dela.

Eu me assustei com tamanha ousadia daquela mulher do poderoso diretor Marcos Paulo e achei que tratava-se de mais uma daquelas que o usaram para subir na vida e conseguir um papel na novela das oito. Só que eu quebrei a cara.

Depois de carregar nas tintas em algumas notas e sentir na pele a fúria de uma nordestina arretada, fui aos poucos descobrindo a verdadeira Antonia. Num meio onde quase todo mundo vive de aparências, me assustei com a sinceridade e franqueza desta senhora. Errei, talvez. Mas nada como um dia após o outro.

A condição para esta entrevista acontecer foi apenas uma: seja você mesma, sincera e verdadeira. Por isso a coluna de hoje é dedicada a esta mulher admirável que incomoda a muita gente por mostrar-se tão claramente ao público. Impressionem-se com as palavras de Antonia Fontenelle, a capa da ‘Playboy’ deste mês.

Foto: Divulgação / Playboy

Já faz quase um mês que a sua ‘Playboy’ foi lançada. Que balanço você faz?
Foi uma decisão arriscada, porém acertada. Fui muito bem recebida. Faltaram revistas em diversos cantos do Brasil. O povo recebeu uma mulher que deu a volta por cima. Brasileiro simpatiza com histórias de superação. Tenho um histórico de batalhas e não nego as minhas origens.

Qual foi a foto que você mais gostou?
Gostei de muitas, mas a que estou deitada de costas decorando texto está uma coisa de louco.

Houve uma opção por não mostrar a genitália tão explicitamente?
Como assim, gente? Você viu a revista direito, Leo? Tem várias fotos de nu frontal. É que a magrelinha é pequenininha mesmo, inclusive pouco usada, ao contrário do que muitos pensam.

Em algum momento você pensou: “Se não der certo, no mês seguinte todo mundo já esqueceu”?
De jeito nenhum! Não faço nada para as pessoas esquecerem no dia seguinte.

Posar nua te abriu portas?
A ‘Playboy’ não me abriu portas. Eu arrombo as minhas portas, convencendo que sou capaz. O importante é que a revista não me fechou portas (risos).

Com o cachê dá para comprar mais ou menos o quê? O que você vai fazer com ele?
Vou viver e ser feliz, com o dinheiro do meu trabalho, diga-se de passagem. Mas a primeira providência será mandar construir dois poços artesianos no sertão. Não quero ver mais nenhuma pessoa e nenhum bicho passando sede naquele lugar, já que os políticos corruptos da área não fazem nada e ficam alimentando a indústria da seca para distribuir carros-pipa para o povo em troca de votos na época de eleição. Covardes!

Você já recebeu seu cachê da revista?
Ainda não. Mas já mandei a nota fiscal para a Editora Abril. Está tudo encaminhado. Vou receber certinho.

Qual foi a foto mais difícil de fazer?
Nenhuma.

E aquela foto em que você pede silêncio? É pra quem?
Para aqueles que me julgam sem me conhecer, para aqueles que não aceitam que eu não morri junto com o Marcos Paulo. Muita gente achava que eu só existia por causa dele e eu estou aqui para contrariar todas as expectativas! Antes dele, eu já tinha a minha história. Ele me conheceu trabalhando, eu não busquei o Marcos Paulo… Ele aconteceu na minha vida e foi uma passagem linda, de muito amor, respeito, sintonia… Marcos Paulo foi um anjo que Deus colocou no meu caminho. Aceitem isso.

Foto: Divulgação / Playboy

Qual foi o limite no Photoshop das suas fotos?
Tenho algumas no meu iPhone feitas pela produção. Qualquer hora dessas, eu divulgo para o recalque ver que o Photoshop que foi usado foi para corrigir a luz ou sei lá o quê. Não foi para corrigir o meu corpo, meu amor… Inclusive, essa foto que eu gosto, eles não mexeram em absolutamente nada! Nem na luz.

Seu filho já viu a revista? O que ele achou?
Convidei Samuel para vermos juntos e ele não quis. Só me perguntou assim: “Você gostou? Está feliz?”. Eu disse sim e ele falou que isso era o que importava. Um dia ele vai ver.

Em agosto, a ‘Playboy’ vai lançar uma revista pôster sua. Você já escolheu as fotos?
Vou escolher esta semana. Serão fotos inéditas do mesmo ensaio, além de um pôster gigante. Mas ainda não sei quantas fotos vão ser publicadas.

Você escreveu recentemente no Twitter que é bissexual e depois você se arrependeu. Você já teve algum relacionamento com uma mulher, mesmo que tenha sido por uma noite?
Eu me arrependi? Quem te disse isso? Só não quero transformar isso no meu carro-chefe para viver. Não preciso de rótulos para ganhar dinheiro. Sou atriz e produtora, o resto não interessa a ninguém. Tantos artistas se dizem bissexual por aí… Por que só comigo tem tanta importância? Mas para finalizar esse assunto, eu gosto de homem, admiro as mulheres lindas, bem-sucedidas e não descarto a possibilidade de um dia me relacionar com uma. Não que isso seja a minha prioridade. Sou péssima para desenhar. Será que fui clara?

Você seria capaz de se apaixonar por uma mulher?
Tudo é possível! Tem tanto homem babaca por aí, tanto gay, que vou te dizer que, a cada dia que passa, vejo que isso não seria impossível.

Você já recebeu algum dinheiro da herança?
Não. Nem tenho pressa. Contra fatos não há argumentos e ponto.

Você não se envolveu com ninguém depois do Marcos? Nem flerte, troca de telefone, de olhares… Nada?
Não.

Você ouve piadas na rua com a expressão viúva?
Não.

Você quer voltar para a Globo?
Pra Globo, pro SBT, pra Record, pra Band, pra RedeTV!, pra Gazeta… Se o projeto for bacana e pagarem bem, o canal é o de menos.

Existe algum boicote na Globo em relação ao seu nome depois da morte de Marcos Paulo?
Que eu saiba, não.

Você já comentou com pessoas próximas que sente a presença do Marcos Paulo. Como é isso?
É apenas um sentimento. Não tem nada a ver com (o filme) ‘Ghost’. Sinto que ele está me apoiando nas minhas decisões. Por isso que tudo está dando tão certo, porque faço confiante. Antes, quando eu ia fazer um trabalho sem ele, ele me ligava e perguntava: “Está tudo bem aí, lourinha? Arrebenta, tá?”. Agora, eu sinto que ele está vendo e aplaudindo.

Alguma pessoa deixou de ser sua amiga depois da morte e você percebeu que era apenas interesseira? Quem?
Poucas, mas jamais falaria quem são. Elas não têm a menor importância para mim. Aliás, nunca tiveram.

Redação com Postado por: Leo Dias às 10:20 pm :: Ig