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Uso de armas químicas por Síria é ‘inegável’ e ‘obscenidade moral’, diz Kerry

Secretário de Estado afirma que EUA têm provas adicionais de uso de armas químicas por Síria e as mostrará em breve

27/08/2013 05:47

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse nesta segunda-feira que armas químicas foram usadas na Síria e acusou o regime do presidente Bashar al-Assad de destruir evidências.

Dia 21: Oposição síria acusa governo de matar centenas em ataque químico

Reuters

Homem, afetado pelo que ativistas dizem ser gás neurológico, respira com ajuda de máscara de oxigêneo em subúrbio de Damasco (21/8)

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Elevando as críticas ao suposto uso de armamento não convencional pelas forças sírias, Kerry classificou o ataque do dia 21 como uma “obscenidade moral” que deveria chocar a consciência do mundo. Segundo ele, os vídeos sobre o suposto ataque lançado perto de Damasco são “reais e constrangedoras” e “inegáveis”.

Assista: Vídeos mostram vítimas de suposto ataque químico na Síria

Segundo Kerry, os EUA têm informações adicionais sobre o ataque e as tornarão públicas nos próximos dias. O secretário de Estado afirmou que lançar ataques aéreos contra a área afetada posteriormente não era uma ação de um governo que tenta cooperar com investigadores da ONU que trabalham para avaliar o que aconteceu.

De acordo com os Médicos Sem Fronteiras, 355 morreram por fogo de artilharia das forças do regime na quarta-feira, ataque que incluiu o uso de gás tóxico. Ativistas e líderes da oposição disseram que entre 322 e 1,3 mil teriam morrido no suposto ataque químico.

Assad negou a ação afirmando que as forças do governo sírio estão perto da região do suposto ataque com gás venenoso. Por conta disso, disse Assad, atacar tal área com armas químicas não faria sentido para o governo pelo fato de não haver linhas claras entre o regime e as forças rebeldes.

Alerta: Assad diz que eventual intervenção militar dos EUA fracassaria na Síria

AP

Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fala no Departamento de Estado em Washington sobre a situação na Síria

“Como o governo pode usar armas químicas, ou qualquer armamento de destruição em massa, em uma área onde suas tropas estão situadas?”, indagou. “Isso não tem lógica. Isso explica por que essas acusações são póliticamente motivadas”, disse Assad ao Izvestia, referindo-se aos rebeldes que lutam numa guerra civil de mais de dois anos para depô-lo.

Operação militar

O suposto ataque químico deixou os EUA mais perto de uma ação militar contra a Síria. De acordo com a mídia americana, graduados oficiais militares fazem planos para responder rapidamente à situação no país árabe.

Citado pela rede de TV americana CNN, um graduado funcionário do Departamento de Defesa disse que os estrategistas militares americanos atualizaram uma lista de alvos sírios, tendo sido revelado que um quarto navio com mísseis de cruzeiro chegou ao leste do Mar Mediterrâneo .

Segundo o jornal New York Times, a lista de possíveis alvos para um ataque aéreo circula na Casa Branca desde o fim da semana passada. A lista, que o Pentágono originalmente preparou há meses para o presidente dos EUA, Barack Obama, inclui tanto locais com armas químicas quanto alvos militares e governamentais mais amplos, dependendo de que tipo de ação o presidente ordenar. Se os ataques forem lançados, os alvos provavelmente serão atingidos de mísseis de cruzeiros disparados de navios da Marinha.

Tanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: AP
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O presidente Barack Obama, que alertou há um ano que o uso de armas químicas pelas forças sírias representaria uma ” linha vermelha “, vem enfrentando críticas de republicanos do Congresso e de outros por fracassar em responder de forma mais forte a ataques químicos prévios de menor escala . Obama, que herdou duas guerras caras – no Iraque e no Afeganistão – tem relutado extremamente em comprometer forças militares americanas, mesmo em forma de ataques com mísseis, em outro conflito imprevisível do Oriente Médio.

Mas, no domingo, a Casa Branca pareceu adotar um tom mais duro ao subestimar a promessa síria de garantir acesso aos inspetores da ONU ao local do suposto ataque. Para o governo americano, a promessa era “muito tardia para ser crível”.

Nesta segunda, o secretário de Defesa americano afirmou que o governo está analisando as informações de inteligência sobre o ataque e “saberá os fatos” antes de agir. “Estamos analisando a inteligência para saber os fatos e, se qualquer ação for tomada, será em concerto com a comunidade internacional e dentro de uma justificativa legal”, disse durante viagem à Indonésia.

Ao New York Times, porém, autoridades disseram que, embora os EUA ainda mantenham consultas na ONU, o organismo não era a única via para tomar uma ação contra a Síria.

*Com AP

Do Ig