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Um retrato da Ditadura na Paraíba: Escrito Por Gilvan de Brito

28/06/2015 13:51

10422344_443258669188893_747283375996130832_nUM RETRATO DA DITADURA NA PARAÍBA, NAS LIVRARIAS:  Escrito Por Gilvan de Brito
O livro A Ditadura na Paraíba, do jornalista e escritor Gilvan de Brito, já se encontra nas livrarias, lançando novas luzes sobre o golpe militar de primeiro de abril de 1974. A publicação, publicada pela Patmos editora, com 240 páginas, desmistifica personagens e faz um relato bastante objetivo e sem tergiversações acerca das posições político-ideológicas assumidas por paraibanos ilustres, logo que os militares derrubaram o governo democrático.
O livro traz várias listas contendo os nomes dos demitidos, cassados perseguidos, torturados, mortos, banidos e desaparecidos. Publica ainda lista dos torturadores que massacraram e mataram centenas de pessoas, durante os 21 anos de terror praticado pelos militares das três forças e dos órgãos especializados. Divulga, também, relatório da Comissão da Verdade criada na Paraíba para a apuração das violações dos direitos humanos praticados por agentes públicos contra os paraibanos no período 1964-1985.
No seu início o livro situa o leitor a partir do programa de reformas proposto por João Goulart, utilizado pelos pelas organizações interessadas em desestabilizar o regime democrático para derrubar o governo. Depois relata minúcias do golpe de Estado em que sufocaram as autoridades, com depoimentos dos que capitularam – governador, presidentes da Assembleia Legislativa e Câmara Municipal, Poder Judiciário, clero, dirigentes do comércio, da indústria e da agricultura.
O livro mostra a ação das Ligas Camponesas desde a sua criação e o terror implantado pelos policiais, antes da ditadura e depois do golpe, contra os agricultores paraibanos. Mostra também, com detalhes, os movimentos civis de apoio ao golpe e a cooptação dos militares, depois de instalada a ditadura, visando atrair o maior número de pessoas para o apoio à sua política de segurança nacional e a prática da delação, que não era mais do que o apoio às atrocidades cometidas. Relata a ação da censura contra compositores, dramaturgos, cineastas e intelectuais e traz à tona os efeitos nefastos dos anos de chumbo, protagonizados pelos agentes públicos contra aqueles que desejavam a volta da democracia.
Enfim, o livro A Ditadura na Paraíba se constitui num documento que não pode faltar nas prateleiras das estantes dos paraibanos, como fonte de informação e pesquisa e para que se conheça a cara de todos aqueles que mudaram de lado para favorecerem a ditadura e dos que lutaram contra o regime discricionário, pois, como se diz: o passado orienta o futuro. O prefácio é do jornalista Nonato Nunes.
O autor, Gilvan de Brito, tem mais dois trabalhos sobre a ditadura, a serem publicados. São dois ensaios sobre a violência dos agentes do governo contra os paraibanos e a cooptação e a persuasão utilizada pelos militares golpistas.
Estes ensaios que brevemente estarão à disposição dos leitores, são: A Banalidade do Mal e Ditadura de 64, da Persuasão ao Colaboracionismo. A leitura desses livros vai permitir ao leitor um mergulho numa fase da história local, desconhecida da maioria dos paraibanos. E hoje é domingo, um bom dia para ler com tranquilidade.

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