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Os prós e contras dos outlets de luxo na Europa

Disposição, foco e sorte são fatores imprescindíveis para quem quer comprar em grandes grifes pagando menos

2/04/2013 20:12

O Brasil tem feito a alegria dos outlets na Europa. Ao lado de chineses, russos e árabes, os brasileiros figuram no topo do ranking dos clientes internacionais mais assíduos nesses centros de compra nos últimos anos. Só na rede McArthurGlen , com 21 “vilas” próximas às principais cidades turísticas europeias, o número de visitantes nacionais foi recorde em 2012, o que significou, por exemplo, volume de compras 94% maior só na unidade La Reggia Designer Outlet , próxima a Nápoles (Itália). O bom desempenho se repetiu nos nove “villages” da rede Chic Outlet Shopping , que registrou mais 36% de brasileiros circulando por suas lojas no último ano.

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– Outlets de luxo da Europa viram parada obrigatória de brasileiros

Semelhante a uma vila, os outlets de luxo da Europa se diferenciam dos americanos em aparência, oferta e serviço. Foto: Divulgação
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Mas se locomover para fora das grandes cidades e dedicar uma parte das férias para as compras realmente vale a pena? De acordo com quem já passou pela experiência, vale sim. A começar pelos descontos, que podem chegar a 70% do valor original em lojas como Armani, Dolce & Gabbana, Ferragamo, Gucci e Carolina Herrera. “Para quem realmente está interessado em marcas de luxo, vale muito. Mas é preciso ter em vista que mesmo com desconto os preços continuam altos em comparação a outras marcas. Afinal, não deixa de ser luxo”, afirma a produtora cultural Beatriz Reingenheim, que já esteve várias vezes no La Vallée Village , a cerca de 45 minutos de trem de Paris. Em uma delas, sua mãe arrematou um sobretudo Cacharel por 200 euros.

O valor pode parecer um absurdo frente aos praticados nos outlets americanos, mas a comparação é injusta. “Esses ‘villages’ (com lojas posicionadas ao longo de alamedas a céu aberto, reservada a pedestres) não têm nada a ver com aqueles galpões imensos dos Estados Unidos, onde os preços são tão baixos que você sai carregada de sacolas”, conta a designer Fabiana Magnani Cardoso. “O foco nos outlets de luxo da Europa não é quantidade, mas qualidade. Você pode fazer poucas, mas serão boas compras”, completa ela, que visitou algumas vezes o Freeport , a cerca de 40 minutos de carro de Lisboa.

Uma boa dica para ter melhor noção do tamanho do abatimento no outlet, já dando desconto por se tratar de peças de coleções antigas, é se familiarizar com os preços originais praticados pelas  lojas nos grandes centros. “Deveria ter feito essa comparação antes para mostrar para o meu pai que não gastei muito. Na verdade, economizei bastante”, afirma a estudante de relações internacionais Thaisa Bassan, que também comprou no Le Vallée Village, quando morou na França.

No Bicester Village, próximo a Londres, lojas de descontos das marcas Dior, Gucci e Yves Saint Laurent. Foto: Divulgação

Leia ainda:
– As tendências da joalheria para 2013 Ciente do bom negócio, a publicitária Alessandra Oliveira dedicou um dia inteiro de sua última viagem à Itália para rodar pelos outlets próximos de Florença (há pelo menos quatro, o Valdichiana Outlet Village , o Space, da grife Prada, o The Mall e o McArthurGlen Brabarino ). “Uma amiga tinha dito que valia muito a pena, então já viajei sabendo que ia fazer isso. Tanto que não comprei quase nada nos demais dias”, afirma ela que enlouqueceu com o preço dos acessórios. “Comprar bolsas, carteiras e sapatos de marcas como Gucci e Furla por um terço, ou até um décimo, do preço original é maravilhoso.”

Mas, nem tudo são flores. É preciso contar com um pouco de sorte e paciência para aproveitar as oportunidades ao máximo. “Os outlets também têm sazonalidades e períodos de liquidação, quando é possível economizar ainda mais”, lembra a empresária Ana Cecília de Maria Russo, que em uma troca de coleção chegou a encontrar um vestido de festa Armani por 50 euros. “E não é sempre que você encontra todas as numerações ou tudo que procura, pois pode ter acabado”, afirma a administradora de empresas Cristienne Minniti.

Ainda assim, o garimpo passa longe das pilhas de roupas reviradas e dos atendentes mal humorados de centros de descontos americanos como o Sawgrass Mills e Premium . “Vi peças feias, mas as araras estavam arrumadas, o atendimento era bom e não tinha nada com defeito”, lembra ela, que gastou cerca de 600 euros em um par de botas, um sapato e um lenço Salvatore Ferragamo. Valor semelhante ao de uma única peça na loja da marca em São Paulo. “A gente sempre acaba comprando mais do que precisa (ou pretende).”

Um truque para não estourar o orçamento é ter bem claro o que se deseja antes mesmo de sair do hotel. Isso ajuda até mesmo a escolher o outlet, já que cada um conta com um mix diferenciado de lojas, todas elencadas nos respectivos sites. E não se esqueça de levar o passaporte para que o formulário de Tax Free Refund seja emitido nas lojas e se possa poupar ainda mais no fim do dia com a devolução do imposto embutido nas peças.

Do Ig