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O ANÚNCIO QUE SURPREENDEU: Por Ruy Leitão

18/07/2015 11:20

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Poucos dias antes de sua posse como governador da Paraiba, marcada para o dia 15 de março, Ernany Sátyro surpreendeu a todos ao anunciar sua indicação para prefeito de João Pessoa. O chefe do poder executivo municipal nas capitais era escolhido pelo Governador, com a obrigação de previamente submeter o nome a análise e aprovação da Presidência da República, quando então seria homologado pela Assembleia Legislativa. Esperava-se a escolha de um político para o cargo. O “amigo velho” optou por entregar o comando da edilidade pessoense a um técnico.

A notícia de que Dorgival Terceiro Neto seria o futuro prefeito de João Pessoa, apesar da inexperiência política, causou positiva repercussão, por se tratar de um homem reconhecidamente capacitado, honesto e muito bem conceituado em todas as esferas da vida paraibana. Particularmente entre nós funcionários do Banco do Estado da Paraiba, a informação foi recebida festivamente, pois Doutor Dorgival, como o chamávamos, ocupava na época o cargo de Diretor de Crédito Rural daquela instituição financeira. Conhecíamos a sua competência e nos alegrávamos com a oportunidade de termos uma relação de amizade com o gestor da capital.

Era um homem simples, detestava bajuladores e tinha um jeito meio rude de tratar os que dele se aproximavam com interesses particulares no trato da coisa pública. Divergia totalmente do perfil a que estávamos acostumados a ver nos profissionais da política. Dotado de uma inteligência privilegiada, destacava-se não só como um bom administrador, mas também como escritor e advogado.

Ernany Sátiro deu esse presente à capital paraibana. Dorgival correspondeu à expectativa. Tanto isso é verdadeiro, que se credenciou a ser escolhido por Ivan Bichara Sobreira para ser o seu vice-governador.

Embora tendo exercido os cargos de prefeito, vice-governador e governador, nunca se encantou com a política. Declinou de vários convites para disputar mandatos eletivos. Considerava a política uma atividade cara e difícil, onde não existia sinceridade. Disse numa de suas últimas entrevistas, concedida ao jornal A União que “fui prefeito, vice governador e governador, quase sem querer e sem pedir”.

Guardo dele as melhores lembranças. Aprendí a admirá-lo na convivência diária enquanto trabalhávamos juntos no Banco do Estado e acompanhei sua trajetória de homem público, confirmando sempre a sua irretocável conduta no exercício das funções públicas que lhes foram confiadas. Está fazendo falta.

• Integra a série de textos “INVENTÁRIO DO TEMPO II”.