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FOTOGRAFIA: Japonês produz série em bordéis de Salvador

15/08/2014 00:11
Salvador por Hirosuke

De repente, você lê “Hirosuke Kitamura”. Para quem não acompanha notícias sobre fotografia, é simplesmente um nome japonês. Eis que você decide colocar no Google.

 

 

Fotografias coloridas, com sobreposição de imagens, mas nada é alegre, pop. Há ranhuras, ruídos no registro. Pronto. De oriental para oriental, o nome de Won Kar Wai aparece.

 

 

 

 

Será Kitamura na fotografia o equivalente do cineasta chinês? Mais uma googada e  … Não. Hirosuke é outra coisa.

Hirosuke nasceu em Osaka, em 1967. Depois de concluir o curso de Letras na  Faculdade de Estudos Estrangeiros de Kyoto, veio o Brasil como intercambista. Entre uma surpresa e um encanto, foi ficando. Frequentou cursos do Museu de Arte de Salvador, tornou-se fotógrafo. De lá para cá, 20 anos se passaram. Depois das belezas turísticas, dedicou-se a investigar a tão complexa cultura brasileira.

Como Miguel Rio Branco na década de 70, caiu nos bordéis de Salvador. Em “Hydra”, reúne as imagens feitas nas casas da luz-vermelha. Dá outro tom às paredes desgastadas e lençóis encardidos. Não torna requintada a situação e os personagens, mas muito menos aceita a representação eurocêntrica.

As fotografias da série foram feitas em médio formato (120 mm). O processo de produção foi longo. Por 10 anos, o fotógrafo visitou  bordéis. Entre uma música “brega” e outra, observou o cenário. Nas fotografias, deixou  transparecer o que viu, um misto de sedução, poder, solidão e prazer.

Para quem se interessou pelo trabalho do fotógrafo, em 2014, Hirosuke será um dos artistas presentes na SP-ARTE/FOTO. O fotógrafo é representado pela 1500 Babilônia.

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