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Empresas da Lava Jato doaram para as campanhas de 12 ministros de Michel Temer

16/05/2016 10:21

 

Dinheiro de empresas envolvidas no esquema revelado pela Operação Lava Jato irrigou as campanhas de 12 dos 13 ministros nomeados pelo presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), que se candidataram a algum cargo eletivo em 2014. Os recursos foram repassados de forma legal e declarados à Justiça Eleitoral.

A exceção é Ronaldo Nogueira (Trabalho). Quando concorreu a vaga de deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul, o agora ministro recebeu R$ 393 mil em doações. Na sua prestação de contas não há registro de empresas citadas na Lava Jato.

Henrique Alves foi o maior beneficiado pelas doações das empresas investigadas na Lava Jato
Reprodução/Facebook

Henrique Alves foi o maior beneficiado pelas doações das empresas investigadas na Lava Jato

Os que declararam doações de empresas que estão na mira da Lava Jato foram José Serra (Relações Exteriores), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Blairo Maggi (Agricultura), Maurício Quintela (Infraestrutura, Portos e Aviação), Raul Jungmann (Defesa), Mendonça Filho (Educação e Cultura), Leonardo Picciani (Esporte), Osmar Terra (Desenvolvimento Agrário), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Bruno Araújo (Cidades) e Ricardo Barros (Saúde).

Deste grupo, o maior beneficiado é Henrique Eduardo Alves (PMDB). Na campanha para governador do Rio Grande do Norte, o então candidato declarou à Justiça Eleitoral ter recebido um total de R$ 7,8 milhões das empresas acusadas ou investigadas pelo envolvimento no esquema de desvios de recursos da Petrobrás.

O valor é 34% dos R$ 23 milhões declarados como doações na prestação de contas de 2014 do peemedebista. As doações foram feitas principalmente pela Odebrecht (R$ 5,5 milhões) e Queiroz Galvão (R$ 2,1 milhões). Galvão Engenharia (R$ 200 mil) e Andrade Gurierrez (R$ 100 mil) também doaram. Alves foi derrotado por Robinson Faria (PSD) no segundo turno.

Presos

Geddel Vieira Lima declarou ter recebido R$ 7,1 milhões em doações eleitorais na campanha de 2014 para o Senado pelo PMDB da Bahia. Deste valor, R$ 2,3 milhões foram repassados por empresas que tiveram seus presidentes presos na Lava Jato – as empreiteiras baianas Odebrecht (R$ 1,7 milhão) e UTC (R$ 75 mil) e o Banco BTG Pactual. Geddel não conseguiu se eleger.

José Serra (PSDB-SP) também ultrapassou a casa dos milhões em doações de empresas citadas na Lava Jato. Na campanha para o Senado, o tucano declarou ter recebido R$ 1,2 milhão da OAS e R$ 856 mil da Andrade Gutierrez. Serra declarou R$ 10 milhões em doações naquele ano.

Tanto os políticos quanto as empresas doadoras argumentam que as doações são legais, previstas na legislação. A Lava Jato, porém, trabalha com a hipótese de que doações declaradas de campanha tenham sido usadas como parte de pagamento de propina em troca de vantagens.

Alves e Geddel, além de Romero Jucá, são alvos de investigações na Lava Jato. O ministro do Turismo é suspeito de receber dinheiro do dono da OAS, Léo Pinheiro, em troca de favores no Legislativo e em tribunais. Em dezembro, sua casa foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal.

Geddel, que passou a ser responsável relacionamento do governo com o Congresso, aparece nas mensagens captadas pela Polícia Federal com Léo Pinheiro em que tratam de interesses da OAS em órgãos do governo, entre eles a Caixa Econômica Federal – da qual o agora ministro era vice-presidente.

“Turma”. Ao monitorar as mensagens de Pinheiro, os investigadores da Lava Jato flagraram mensagens em que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), menciona o pagamento de R$ 5 milhões a Temer e reclama de compromissos adiados com a “turma”, que incluiria Geddel e Alves.

Os peemedebistas, no entanto, têm alegado que o valor se refere a doação oficial, devidamente registrada, feita pela empreiteira ao partido. Tanto Alves quanto Geddel admitem ter tratado com Pinheiro de questões de interesse dele, mas negam irregularidades no relacionamento com o empreiteiro.

Os nomes de oito ministros de Temer aparecem na chamada “superlista da Odebrecht”. A planilha com a indicação de pagamentos feitos pela empreiteira a políticos foi encontrada pela força-tarefa da Operação Lava Jato na casa do ex-presidente de Infraestrutura da empreiteira Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio, em março.

São José Serra, Henrique Eduardo Alves, Raul Jungmann, Mendonça Filho, Osmar Terra, Bruno Araújo e Romero Jucá. A superlista da Odebrecht relaciona um total de 279 políticos ligados a 24 partidos políticos.

Um levantamento feito pelo Estado comparou os valores da planilha com as prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral. Em diversos casos os números da planilha eram superiores aos declarados, indicando possível caixa 2.

Conheça os ministros do governo de Michel Temer

Eliseu Padilha (PMDB-RS), que assume agora como ministro-chefe da Casa Civil, já foi ministro da Secretaria de Aviação Civil (governo Dilma) e dos Transportes (governo FHC). Foto:  Pedro França/Agência Senado - 6.5.15
O deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ) foi nomeado ministro dos Esportes. Na Câmara, ele votou contra a abertura do processo de impeachment de Dilma Rouseff. Foto: Alex Ferreira/Agência Câmara
Presidente do PMDB na Bahia, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) é, agora, o ministro-chefe da Secretaria de Governo.. Foto: Valter Campanato/ABr - 25.04.16
O deputado Fernando Coelho Filho (PE) é o nome escolhido por Temer para assumir o Ministério de Minas e Energia. Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados - 11.02.15
Ministro de Dilma na Secretaria de Portos, Helder Barbalho foi escolhido por Temer para o ministério de Minas e Energia. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil - 24.02.16
Alexandre de Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo na gestão Alckmin, assume agora o Ministério da Justiça e Cidadania.. Foto: Elza Fiúza/ ABr
Nomeado ministro das Relações Exteriores, o senador José Serra já foi ministro da Saúde e do Planejamento no governo FHC, além de ter sido governador do Estado de São Paulo e prefeito da capital paulista.. Foto: Pedro França/Agência Senado - 14.10.2015
Ex-governador de Pernambuco, o deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE) assume o Ministério de Educação e Cultura. Foto: Fotos Públicas
Henrique Meirelles é o novo ministro da Fazenda. Durante o governo Lula, ele ocupou a presidência do Banco Central. Foto: Agência Brasil
Ex-governador do Mato Grosso, o senador Blairo Maggi (PP-MT) foi o escolhido de Temer para assumir o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Foto: Site oficial
Foi o deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) quem deu o voto decisivo na votação pela abertura do processo de impeachment na Câmara. Ele agora é ministro das Cidades. Foto: Fotos Públicas
O deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) é o novo ministro do Desenvolvimento Social e Agrário. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Deputado federal, Ricardo Barros (PP-PR) foi o escolhido de Temer para assumir o Ministério da Saúde. Foto: Wikimedia Commons
José Sarney Filho (PV-MA) assume o Ministério do Meio Ambiente, cargo que já ocupou durante o governo FHC. Foto: Wikimedia Commons
Henrique Alves é o novo ministro do Turismo. Durante o governo Dilma, ele chegou a ocupar o mesmo cargo. Foto: Reprodução/Facebook
O deputado federal Ronaldo Nogueira (PTB-RS) é o novo ministro do Trabalho. Foto: Reprodução/Facebook
Sérgio Etchegoyen assume agora como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. O general gaúcho atua, desde março de 2015 como chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro. Foto: Divulgação/Ministério da Defesa
O deputado federal Mauricio Quintella (PR-AL) é o novo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Foto: Reprodução/Facebook
O atual Conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Fabiano Augusto Martins Silveira, assume agora o Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle (ex-Controladoria Geral da União). Foto: Wikimedia Commons
Fábio Osório Medina é o novo nome à frente da Advocacia-Geral da União. Foto: Reprodução/Facebook
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi nomeado ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Além de ser o atual presidente nacional do PMDB, ele foi ministro da Previdência durante o governo Lula. . Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado/Fotos Públicas
O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), que foi ministro no governo FHC, assume agora o Ministério da Defesa. Foto: Reprodução/Facebook
Ex-prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD-SP) assume o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Durante o governo Dilma, ele foi ministro das Cidades, mas abandonou o cargo para apoiar o impeachment na Câmara. Foto: Alexandra Martins/Câmara dos Deputados
Eliseu Padilha (PMDB-RS), que assume agora como ministro-chefe da Casa Civil, já foi ministro da Secretaria de Aviação Civil (governo Dilma) e dos Transportes (governo FHC). Foto: Pedro França/Agência Senado – 6.5.15
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