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Elke Maravilha morre aos 71 anos no Rio de Janeiro

17/08/2016 01:55
 Elke Maravilha foi muito mais do que a sua cabecinha imagina…

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Lamento muito que você pense nela apenas como a jurada maluca e extravagante dos programas do Sílvio Santos e do Chacrinha. Porque Elke Maravilha foi uma mulher tão gigante – em todos os sentidos – que o Brasil inteiro deveria estar de luto nacional e com bandeiras arriadas a meio pau caso fôssemos um país que realmente soubesse de alguma coisa além do que passa na TV.

Muito antes de andar “emperequetada” por aí, Elke foi uma lindeza, daquelas modelos de fazer até mesmo um lobisomem babar nas quatro patas. Dê uma olhada:

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Décadas antes de uma presepeira como Lady Gaga aparecer por aí, Elke já chocava os padrões normais da família brasileira com um visual absurdamente extravagante e uma postura libertária que causava arrepios e tremores na parcela mais conservadora da população. Transgressão e liberdade eram com ela mesma! Só que havia um detalhe: ela era adorada por todo mundo. Ninguém conseguia ter raiva dela. Era como se aquela russa naturalizada brasileira fosse a tia maluca que toda família tem.

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Cultíssima – era fluente em oito (!!!) idiomas – e ótima atriz de cinema e teatro, teve a coragem de peitar o regime militar e chegou a ser enquadrada na Lei de Segurança Nacional. Foi presa e teve a sua cidadania brasileira cassada. Mesmo assim, não só não abaixou a cabeça como se manteve sempre ao lado das tribos mais criminosamente escorraçadas de nossa sociedade – putas, bichas, negros e o que mais lhe vier à cabeça – sempre mandando mensagens edificantes e civilizadas sem jamais perder o sorriso nos lábios e a ternura nos olhos deliciosamente esbugalhados. Ela era a encarnação física do amor e do respeito. Hipocrisia zero. Era tão iluminada e independente que falava o que bem quisesse e todo mundo parava para ouvi-la e prestar atenção, mesmo que não concordasse com uma vírgula que saísse de sua boca.

Fiquei sabendo que seus últimos dias foram passados em uma cama de hospital – leia mais aqui – e, mesmo assim, conservou o bom humor até seu último suspiro. Hoje à noite, tenho certeza que irei olhar para o céu e reparar que há uma estrela a mais, que não estava lá até ontem. Não tenho dúvidas: vou chamá-la de “Elke”.

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