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Candidatos de concursos relatam uso de tarja preta para ‘render mais’

29/07/2012 22:01

Medicamentos de tarja preta que têm como substância ativa o cloridrato de metilfenidato, estimulante do sistema nervoso central, estão sendo consumidos por estudantes de concursos, conforme relatos de concurseiros e ex-concurseiros ouvidos pelo G1. O objetivo é contar com a ajuda da substância para passar muitas horas diárias concentrados na preparação para provas. Na medicina, a droga é usada para reduzir impulsividade e hiperatividade de pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), especialmente crianças.

O tema do uso de medicamentos para suportar a pressão da concorrência e estudar por muitas horas é velado entre os candidatos. Concurseiros e ex-concurseiros de São Paulo, Brasília e Salvador afirmam, sob a condição de não serem identificados na reportagem, que o uso de remédios com esse princípio ativo é comum entre os colegas que estudam em cursinhos preparatórios para concursos. Na opinião de médicos, no entanto, a substância não resulta em um aumento da concentração e dá uma falsa sensação de aproveitamento do tempo de estudo.

Um funcionário público do Distrito Federal ouvido pela reportagem admite ter usado o remédio Ritalina, fabricado pelo laboratório Novartis, que contém o metilfenidato. Ele afirma que decidiu tomar o medicamento após uma amiga contar que usava a substância para controlar a hiperatividade e se concentrar melhor no que estava fazendo. Um colega do cursinho também havia dito que conseguia passar mais horas estudando graças ao remédio. Mas sua própria experiência, segundo ele, foi negativa.

O servidor conta que procurou um psiquiatra porque se sentia hiperativo, agitado e com dificuldade geral de se concentrar. Na primeira e única consulta com o médico, ele relatou seus sintomas e já saiu do consultório com a prescrição do medicamento em mãos. O então candidato nem precisou pagar pelo remédio – o Sistema Único de Saúde (SUS) distribui o medicamento gratuitamente, mediante apresentação da receita controlada. Ele afirma que não tinha como objetivo melhorar seu desempenho nos estudos com o uso do medicamento.

O servidor passou em um concurso público há 3 anos, mas sem a ajuda da Ritalina, que ele parou de tomar depois de apenas duas semanas. Ele afirma ter parentes com síndrome do pânico e já ter presenciado experiências com falta de ar e, por isso, não quis passar pela mesma situação. “Eu já estava estudando para concurso e não aconteceu nada, não senti diferença, só ficava um pouco mais agitado e mais acelerado. Cada um tem sua escolha, não recrimino. Para muitas pessoas, controla mesmo [a hiperatividade], mas para mim não foi legal.”

 

do G1