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VITÓRIA DE PIRRO:  Por Lena Rolim Guimarães 

11/09/2019 22:36

VITÓRIA DE PIRRO:  Por Lena Rolim Guimarães

Será que o ex-governador Ricardo Coutinho imaginou o tamanho do racha que a tomada à força do Diretório Estadual do PSB provocaria? Apostou que ainda teria força política para conter qualquer tipo de rebelião e fazer as coisas ao seu modo?

Não funcionou assim. Ao que tudo indica, o PSB pode repetir o PMDB, que em 1998 rachou. Uma parte seguiu o ex-governador Ronaldo Cunha Lima e depois fundou o PSDB, e a grande maioria ficou com o governador José Maranhão, que obteve a reeleição com a maior votação da história recente: 80,72% dos votos válidos, no 1° turno.

João Azevedo ainda não fez declaração após a reunião de ontem que nomeou uma Comissão Provisória para a Paraíba, tendo Ricardo como presidente e ele como vice, proposta que tinha recusado por antecipação. Mas, para o seu entorno, a questão está resolvida e será questão de tempo a troca de legenda. Seu líder, o deputado Ricardo Barbosa diz que não existe mais clima para ele ficar no PSB.

O PSB não corre o risco de perder apenas o governador. O presidente do Poder Legislativo, deputado Adriano Galdino disse que assim que a legislação permitir, irá para outra legenda. Dos oito deputados estaduais do PSB, quatro se posicionaram a favor de João, dois estão indecisos e dois com Ricardo.

O único senador da legenda, Veneziano Vital do Rêgo, cuja esposa Ana Claudia é secretária de Articulação Municipal e cotada para candidata a prefeita de Campina, também recusou compor a Comissão Provisória. Ricardo mantém o apoio do deputado Gervásio Maia.

Dos 58 prefeitos da legenda, pelo menos 40 já teriam hipotecado solidariedade a João, sentimento que levou os presidentes do PSB de Santa Rita, Cabedelo e Bayeux a renunciarem aos cargos. Dos quatro vereadores do partido na Capital, dois – Léo Bezerra e Tibério Limeira assinaram nota se comprometendo com o governador.

Até o PT, que tem Luiz Couto no secretariado e espera que Anísio Maia volte à Assembleia, divulgou nota afirmando que seguirá fazendo parte do governo de João, por entender que “está sintonizado com nossos anseios, lutas e sonhos de dias melhores para nosso povo”.

Até aqui, os números favorecem João. “Vitória de Pirro” para Ricardo.

TORPEDO

“Esse projeto político está dividido, é fato e é verdade. Não existe mais união dentro do PSB. A confiança não existe mais, então cada um vai marchar em partido diferente. O PSB Nacional fez a opção por Ricardo, cabe a João agora buscar outra legenda para fazer política na Paraíba.”

Do deputado Adriano Galdino, antecipando que pretende deixar o PSB assim que houver uma janela partidária.

Culpados

Adriano Galdino responsabilizou Ricardo Coutinho e Carlos Siqueira pelo racha no PSB. “O sentimento do grupo sinceramente é de decepção”, disse, aditando: “O racha está feito e vamos ter divisão sim no PSB”.

Fantoches?

O líder Ricardo Barbosa culpa as deputadas Estela Bezerra e Cida Ramos, que propuseram a saída de Edvaldo Rosas. “Se estavam sendo ventrílocas de alguém, aí têm que ter a responsabilidade de assumir”.

Perdas

Barbosa prevê debandada do PSB, se o partido não rever a dissolução do Diretório. Sua previsão: “O partido irá encolher muito”. Que o partido sangrando e quem protagonizou isso tem que ser responsabilizado”.

Telefonia

Será votado hoje na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação do Senado, o Projeto de Lei que altera o regime de concessão de telefonia, cuja relatora é Daniella Ribeiro (PP).

Concessões

Ontem Daniella Ribeiro concedeu vista coletiva de seu relatório. Ela rejeitou 16 emendas, mas manteve emendas de Plenário que estabelecem prazo máximo de 20 anos da concessão, prorrogável por igual período.

O futuro

“Temos uma lei de 1997 que regula a telefonia fixa, quando hoje temos mais de 230 milhões de telefones móveis. Essa lei nos coloca no tempo atual e nos prepara para o tempo do 5G que chegará logo”, diz Daniella.

ZIGUE-ZAGUE

< A Segunda Turma do STF arquivou a acusação de tráfico de influência contra o ministro Aroldo Cedraz (TCU), que teria favorecido o filho advogado Tiago Cedraz.

> O ministro Celso de Mello disse que estudou o processo “com muita calma”, mas não identificou “elementos mínimos de prova” e votou pelo arquivamento.