BESSA GRILL
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Sob o Sol de Las Vegas

9/07/2013 09:40

Saí  de João Pessoa cortando o Atlântico com destino temporário de escala no Panamá e, finalmente chegando ao oeste norte-americano com a fenomenal, alegre e tripulante cidade de Las Vegas, em torno de minha querida família. Deixei uma temperatura amena, ventilada e agradável no meu nordeste entre 20 a 30 graus máximos, para enfrentar os 47 graus centígrados de muito calor, em nome da alegria de viver o que, normalmente, não temos no Brasil!

Diria que os yankees resolveram dar nova roupagem da inesquecível e histórica luta, por espaços de terras, entre cowboy e índios apaches, com seus arcos e flechas.

Engraçado que o Estado de Nevada, seu nome nada tem a ver com neve, em razão do clima quente predominante nas cidades da região, dentre estas Las Vegas, cidade de muita luz, shows, animação e segurança, onde se pode andar sem qualquer risco, desde o raiar do dia até a madrugada seguinte. Lá, passeamos a pé, livremente, com os bolsos cheios de dólares, relógio no braço, brincos e colares expostos, com pacotes de compras internacionais tudo, sem medo de nada em nenhum momento. Afinal, por lá não se vê pessoas desempregadas, flageladas, mendicantes, famintas e abrigadas sob as marquises dos prédios! Lá só vive quem trabalha.

Os luxuosos hotéis dividem os apartamentos dos turistas com cafés, barzinhos, restaurantes, shows de orquestras, cantores famosos, circos, teatros e, finalmente a grande atração que são as famosas mesas dos cassinos. Onde você entra com dinheiro e sai pobre e liso, literalmente.

Louvável a determinação dos norte-americanos em implantar em pleno deserto estéril, um mundo de luz, de água à vontade, de entretenimentos, alegria, conforto, segurança e vontade de se viver democraticamente. A liberalidade é total, sem qualquer preconceito ou discriminação, porém, com vigilância monitorada filmando ambientes externos e internos.

O sistema de transporte demonstra que poucas são as motocicletas circulando nas ruas, diferentemente do Brasil, que estimula fechando os olhos às estripulias para fazerem o que bem querem, sem aplicação de multas. Raríssimos, na “cidade do jogo legal”, são os ônibus para transposição de quem não tem carros e metrô não existe. Em compensação taxis circulam as vinte e quatro horas do dia, com tarifa baixa e sem a estripulia de motoristas brasileiros que esticam os trajetos para ganharem mais…

Apesar da riqueza e organização, um trágico acidente fatal chamou atenção da cidade, com a morte de uma jovem artista do famoso Circo Soleil despencando das alturas com a ruptura do cabo de aço que a sustentava. Houve um dia de luto, contudo, o espetáculo foi sequenciado no dia seguinte. Dos melhores espetáculos, bombou a apresentação da divina cantora canadense Celine Dion e orquestra e, o espetáculo circense Le revê (the dream), com trabalho em cima e embaixo d’água. Finalmente, foi um sonho de consumo minha passagem por Las Vegas, com lojas expondo produtos de grifes famosos a preços que chegam, até 75% de desconto, uma tentação para quem tem bom gosto!

Motorista de taxi norte-americano me demonstrou sua preocupação com a crise brasileira recente, com descontrole da inflação, revolta popular depredando e incendiando patrimônio público e privado, e o governo sem uma bússola para se orientar.

(*) Advogaado e desembargador aposentado