BESSA GRILL
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Reflexão por Francisco Nóbrega dos Santos

4/01/2019 20:15

REFLEXÃO POR FRANCISCO NÓBREGA DOS SANTOS

No enorme giro dos ponteiros invisíveis do cronômetro da
vida chegamos ao final de mais um período de governo.
Nada ou quase nada mudou. Algumas coisas ganharam,
numa natural metamorfose, dimensões ou formatos diferentes.
Para muitos, sorrisos a menos e rugas a mais. E na retrospectiva
mental de cada cidadão, eleitor, jovem, idoso, homem, mulher
ou “indefinidos”, pouco existe a enumerar, pois nos arquivos
desses anos, apenas se encontram registrados fracassos e
desilusões dos tempos vividos e sofridos na ansiedade do
amanhã (que virá ou não!)

Nos lares pobres persiste a angústia do desmoronamento
vivido ou iminente. E alheios a essa dura realidade, muitos
contribuem para explosão demográfica, trazendo ao mundo da
existência centenas ou milhares de “cristos” e que não atingirão
“A VIA CRUCIS “ em razão da morte prematura ocasionada pela
hipovitaminose, em face da carência de alimento, em
decorrência da má distribuição de renda, desvios de recursos e
outras falcatruas dos que manuseiam o nosso dinheiro, desviado
para outros países, enquanto o contribuinte paga caro para viver
num pobre País rico.

Por outro lado, indiferentes ao drama crucial da periferia e
do grande aglomerado urbano, os gabinetes permanecem cheios
de homens vazios, bastante preocupados com o amanhã dos
caminhos políticos, com adoção de medidas paliativas e
eleitoreiras, iludindo a fome daqueles que representam meros
trampolins da subida ao poder.
E assim se eterniza o ciclo vicioso, com a venda de votos
por elevado custo e a compra do eleitor com as migalhas que
sobraram dessa grande farra.

E nesse ciclo (ou circo) passam-se dias, anos, meses e
séculos, na transição de governo a governo a vida continua e
segue alimentando a escalada do poder, num processo rotineiro
ampliando os caminhos da fome e da miséria, numa arrancada
em busca de novas conquistas e novíssima fonte de
remuneração.

E essa massa, perdida na promessa, porém renascida na
ingênua esperança, joga a cada pleito, a cartada “decisiva”, como
uma forma de acreditar no que já não se crer.
Por fim, numa eleição custeada com o dinheiro que lhe fora
negado, o povo cria e alimenta seus algozes e se mantém
naufragado na própria ignorância, sem atentar para o fato de
que está se tornando cada vez mais pobre e premiando alguém
com um mandato e que irá desfrutar das benesses e mordomias
do poder.

No final de mandato e de cada gestão (ou ingestão), para
os infelizes, incultos e ingênuos eleitores, resta o consolo
demagógico na tradicional frase proferida pelos (in) dignos: –
“Saio com a consciência tranqüila de um mandato cumprido…”
Ou comprado?

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