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A PREOCUPAÇÃO: Escrito Por Rui Leitao

24/07/2016 08:38
Rui Leitão 02A PREOCUPAÇÃO: Escrito Por Rui Leitao

A imprevisibilidade do desfecho de uma situação, que nos parece ameaçadora, nos leva a um sentimento muito desagradável – a preocupação. Analisando literalmente seu sentido, trata-se de ocupar a mente antecipadamente com algo que ainda está longe de acontecer, sofrer por antecipação, sentir-se num “beco sem saída”.

A preocupação, por consequência, faz com que percamos noites de sono, fiquemos ansiosos e muitas vezes depressivos. Nos deixa emocionalmente abalados, mentalmente agitados, inquietos, angustiados. Compromete nossa qualidade de vida e prejudica nossa saúde. Quando estamos preocupados com alguma coisa, ficamos vulneráveis ao perigo, porque desprezamos nossa capacidade de pensar e buscar, tranquilamente e racionalmente, as soluções. Concentramos nossa mente nos problemas e deixamos de dar respostas práticas de resolução às dificuldades.

Seja qual for a convivência em que estejamos inseridos, somos sempre alcançados por momentos de preocupação. Isso acontece na vida profissional, na relação familiar, nas questões pessoais. Pode alguém dizer que a preocupação é também uma manifestação de responsabilidade. O anseio de que as coisas aconteçam da melhor forma possível. Entretanto, essa não é a “preocupação”, mas o zelo na preparação e organização daquilo que se projeta, o que se idealiza. É prevenção, precaução, é ser previdente ao que possa acontecer.

O desassossego se revela quando a preocupação é excessiva. Nesses casos, há uma obsessiva imaginação de que tudo vai dar errado, o domínio do pensamento negativo. O receio de se mostrar incompetente. Então, se apresenta como uma pessoa que quer ter o controle de tudo, e, não conseguindo, se aflige e sofre.

O melhor mesmo, nessas horas, é exercitar nossa capacidade de discernir o que é possível e o que é provável. As previsões podem ser possíveis de acontecer, mas podem ser também improváveis. Se fizermos essa distinção podemos vencer nossos medos ao admitirmos acontecimentos positivos e enxergarmos caminhos de solução para problemas possíveis. Identificar as probabilidades do que possa surgir como prejudicial e, a partir daí, dar especial atenção às possibilidades de lidar com as circunstâncias complicadas que deveremos enfrentar.

A magnitude da preocupação está na aptidão para assumirmos o controle das emoções nas ocasiões de perturbação, ameaças e riscos. Quanto mais inaptos formos, mais atingidos pelas preocupações seremos. E o resultado será o mergulho num transtorno mental de graves consequências para a saúde.

• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.