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POLÍTICA & POLÍTICOS Por Francisco Nóbrega dos Santos

3/05/2019 19:11

POLÍTICA & POLÍTICOS
Por Francisco Nóbrega dos Santos

Recordo-me dos tempos que política era sinônimo de dignidade, caráter,
honestidade, respeito. E os homens eram escolhidos pelos quesitos “relevante valor
moral, conduta ilibada, zelo pela coisa pública, verdadeiros guardiões e defensores dos
direitos e da cidadania. Eram vistos como semi-deuses, lutadores pela liberdade,
protetor dos fracos e oprimidos entre outras palavras constituídas de sinônimos e
adjetivos.
Dos meus verdes anos ainda me lembro com indisfarçável nostalgia, de Um
cidadão se preparando para concorrer a um cargo legislativo ou executivo, sendo ele
alvo da admiração do povo, saudado por todos e apontado como um ser voltado aos
interesses da comunidade e demonstração de sentimento patriótico.
Mantenho, ainda, vivo na minha lembrança o orgulho de familiares e amigos
daquele ser voluntário e despido de maldade ou interesses pessoais ostentando, de
forma inequívoca, o desejo de fazer algo, sem visar o erário público ou formar um
patrimônio. Tudo isso era passado e repassado pelos pais aos filhos. E esse sentimento
espalhava-se de geração a geração.
Com a evolução dos tempos, o progresso natural aumentou. E com ele a
mudança comportamental do ser humano, que passou a vislumbrar a política com
outros alcances, pois o desenvolvimento que inegavelmente trouxe muitas coisas
boas, paralelamente infiltrou muitos males, dentre os quais a ganância e o estímulo a
um vírus letal chamado corrupção, pois os interesses escusos estimularam a se criar
mecanismo, tais como projetos faraônicos, verbas orçamentárias gigantescas para o
super faturamento na aquisição de bens, serviços e obras denominadas “elefantes
brancos”, numa desastrosa troca do êxito político pelo sucesso financeiro.
Com essa inusitada “metamorfose” os projetos escusos ganharam dimensões
imensuráveis e o patrimônio dos detentores do poder e das riquezas evoluiu numa
velocidade meteórica. A radical mudança fez crescer o interesse maior pela política,
pois esta se tornou verdadeira indústria sem chaminé, não para beneficiar o povo, mas
para produzir fortunas em proveito pessoal, fazendo com que cidadãos que antes
eram heróis, passaram a ser sócios do erário público, com um só objetivo,
enriquecimento as custas daqueles que abastecem a inesgotável fonte de verbas, na
condição de contribuintes, inflando a gigantesca fonte, constituída por uma cruel carga
tributária. E a honraria devotada àquele político, visto como herói passou a condição
nocivo e de mal das gerações.
Assim os tempos mudaram. E como mudaram! A prova disso está retratada a
ocorrência inusitada, em que numa escola a professora, de forma curiosa, reuniu um
grupo de alunos em sala e procurou saber a profissão do pai de cada um. Ao 1º
perguntou – “o que faz o seu pai”?. Vieram as respostas de cada: – engenheiro;
médico; advogado; contador; enfermeiro, etc. Apenas um aluno ficou silencioso e
cabisbaixo. logo a mestra indagou ao solitário aluno: e o seu pai, garoto? “Ele
respondeu” “ É stripper” e a mestra: – o que significa isso? a criança, com ar de tristeza
afirmou.

Striper é aquele homem que fica dançando de cueca num recinto reservado e as pessoas colocam dinheiro na sua vestimenta. Os outros o olharam com espanto,
não faltando as risadinhas maldosas dos demais. A professora, percebendo o
constrangimento da criança, ordenou que todos se retirassem e ficasse, apenas, o
aluno chateado. Uma vez sozinha com o aluno a mestra indagou: por que você não
omitiu a profissão do seu pai? E a criança respondeu:- eu menti, tia, pois tive vergonha
de dizer que meu pai era político, então eu pensei numa profissão menos censurada e
só me lembrei de Stripper…

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