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OS “BORBOLETAS AZUIS” (II): Escrito Por Rui Leitao 

17/08/2019 18:03

OS “BORBOLETAS AZUIS” (II): Escrito Por Rui Leitao

Na véspera do dia definido como o “fim do mundo” pelos “Borboletas Azuis”, o movimento era intenso no local onde funcionava o Templo Horto de Jesus, no bairro do Quarenta em Campina Grande. Os seguidores de Roldão Mangueira preparavam-se para viver os próximos cento e vinte dias recolhidos naquela Casa, durante o dilúvio que marcaria o fim da humanidade. Várias camionetes chegaram transportando mantimentos, utensílios domésticos e outros objetos indispensáveis para enfrentarem os dias de chuva que representariam os últimos de vida na terra.

A Polícia Militar reforçou a vigilância em torno do Templo, garantindo assim a integridade física daqueles que confiavam na profecia proclamada. No dia previsto para o evento que iniciaria o período das chuvas intermitentes que formariam o dilúvio, era grande a concentração de curiosos e profissionais da imprensa de todo o país nas imediações.

Enfim o dia treze de maio de 1980 havia chegado e os fanáticos da seita estavam na expectativa dos fenômenos celestes profetizados. O líder Roldão Mangueira ficou recolhido à sua residência, por decisão de familiares e recomendação médica, pois não estava bem de saúde, nem física, nem mental. Foi substituído pelo vice-presidente da Casa, o ex-taxista José Alves.

Ás onze horas da manhã veio até o portão de entrada do Templo e aos gritos falou: “Passamos dois anos dizendo que o grande dia chegaria. O povo não acreditou na verdade. Faltam poucas horas. Não adianta arrependimentos. Tudo o que se podia fazer, já foi feito. A mensagem do grande mestre foi transmitida. O povo não deu valor”.

Passaram toda a tarde de olhos voltados para o céu, na espera do extraordinário acontecimento. Porém, o dia era de pleno sol, contrariando qualquer possibilidade de chuva. As horas passavam e nada acontecia. Percebia-se com o seguir do tempo as expressões de decepção dos “Borboletas Azuis”. Até que ao final da tarde, já convictos de que nada do que acreditavam ocorreria, começaram aos poucos a abandonar o local.

Naquele instante o mundo não acabou, mas se iniciou o fim da existência da seita. Perderam a credibilidade no líder. Realmente aquele movimento se encerrou com a morte de Roldão Mangueira quarenta e cinco dias depois.

O Diário de Pernambuco numa manchete de ironia colocou: “Telegrama de Deus para Roldão Mangueira – DEFINIREI OUTRA DATA PARA O FIM DO MUNDO E LHE AVISAREI”.
Do livro “INVENTÁRIO DO TEMPO II”, em construcao.

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