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O VERBO E A VERBA – DESENCONTRO DE CASAL Por  Francisco Nóbrega dos Santos

4/08/2018 17:40

O VERBO E A VERBA – DESENCONTRO DE CASAL

Por  Francisco Nóbrega dos Santos

 

Vivemos num País de incoerência constante entre a teoria e a prática. Isso não constitui fato novo, pois quando as caravelas portuguesas, nos anos de 1.500, em busca de aventura, ao perderem o rumo avistaram, o que se supõe, o território brasileiro, ecoou-se  um brado retumbante”TERRA á VISTA” – E alguém retrucou “ OU A PRAZO”, “DEPENDENDO DO PREÇO”.

As embarcações aportaram à primeira fatia do imenso território, com o desembarque da destacada tripulação formada por mercenários, aventureiros e degradados da coroa portuguesa. E   naquela tripulação era conduzida uma súcia espúria, deportada de Portugal e. acidentalmente, encontraram a terra desconhecida.

Sequenciando a epopeia de “ilustres” hóspedes esses imigrantes dividiram-se em facções, com atribuições diversas e níveis diferenciados. Umas optaram pela prática comum de negociações ilícitas, importadas nessa viagem marítima, encarregaram-se de invadir propriedades dos senhores e possuidores, os indígenas.  E muitos desses alienígenas, com raríssimas exceções, violaram os direitos e as índias, com a prática de genocídio que a história não conta, além de outros atos delituosos inarráveis.

Uma considerável parcela desses ilustres intrusos optou pela retirada do ouro existente no solo da Terra de Santa Cruz para remessa ilegal, presenteando a cúpula oportunista de Portugal. Outra facção optou pelo latifúndio, com a chacina das tribos, proprietárias originárias das terras que ocupavam, em posse “jus naturalis”. Eis  que foram despojados pela força acidentalmente importada.

Por fim, organizou-se a mais terrível das facções, formada por politiqueiros, demagogos e desonestos. Como não poderia ser diferente, nasceram; – EXECUTIVO – JUDICIÁRIO – LEGISLATIVO, porém todos obedientes à Constituição mais conveniente, ou seja, a naturalista, paralela à norma escrita.

Porém, com crescimento desordenado dos habitantes, em razão de uma infeliz miscigenação, os grupos desenvolveram-se, permaneceram, inclusive com constituições outorgadas ou promulgadas. Porém os direitos foram bipartidos, ou seja, Constituições Codificadas (direito positivo) e outra Consuetudinária, (a mercê dos percussores  dos modelos que se eternizam no tempo).

E com a degenerescência dos poderes, formou-se um imbróglio onde o executivo formaliza ACÓRDÃO (decisão praticada por um colegiado); o Judiciário, por sua vez, realiza ACORDÃO (aumentativo de acordo), à luz da hermenêutica;

. Por fim o legislativo deixa as decisões a cargo (função administrativa barganhada pelo Executivo) para indicação de protegidos ou afilhados, como negociata para influenciar ou decidir em desacordo com a Constituição Codificada. E assim vive o povo desse pobre País rico, cuja terra em se plantando tudo dá, os donos dos poderes plantam mentiras e ceifam votos, semeiam cargos e colhem divisas eleitorais, com o intuito de se eternizarem no poder e ampliá-lo por uma casta hereditária.

      Porém nem tudo está perdido uma vez que a força das necessárias reformas continua com o povo. Força essa que é deixada à parte, com a outorga poderes aos senhores feudais que se apossaram das prerrogativas assinaladas nos direitos e garantias fundamentais. E os usurpadores vendem, trocam ou doam os direitos do povo, mandando a verba para os paraísos fiscais e utilizam o verbo para renovar as promessas que a mentira adiou.

Ainda é tempo do início de uma mudança urgente dessa triste historia, basta a consciência dessa massa espoliada, com a resposta que se resume em quatro letras: – VOTO, E é chegada a hora de o povo se lembrar: O PODER EMANA DO POVO E POR ELE SERÁ EXERCIDO. A arma é o sufrágio que está em suas mãos. Use-a em defesa dessa Pátria. Lembrando que o País já ultrapassa 200 milhões de habitantes  porém se tem dificuldade para encontrar um político probo, sem compromisso com grupos ou facções, apto para segurar o leme desse barco à deriva num mar de lama e sangue dos angustiados passageiros.

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