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O NÓ POLÍTICO: Escrito Por Rui Leitao

20/12/2016 23:07

O NÓ POLÍTICO: Escrito Por Rui Leitao

Fico preocupado quando não vejo ninguém querendo desatar o nó político em que estamos envolvidos. Pelo contrário, o que se observa são os atores políticos apertando cada vez mais esse nó, sabendo-se que nada será resolvido enquanto não se desamarrarem os laços que apertam esse grande problema que nos tem afligido. A economia nacional não tem como se encaminhar para uma solução necessária, na medida em que fica na dependência do equacionamento da crise política.

A grande questão é que os interesses políticos estão vinculados a facções, legendas partidárias, grupos ideológicos. Isso dificulta qualquer possibilidade de uma coalisão nacional em favor do atendimento às demandas do país, numa disputa em que uns lutam para se manter no poder e outros brigam para chegar nele. Ninguém se dispõe a renúncias em nome de uma causa nacional.

E o nó político se torna cada vez mais firme e, por consequencia, mais difícil de ser desatado. A cultura política nacional não ajuda a pensarmos positivamente numa saída para o dilema colocado. E a população assistindo essa guerra pelo poder, observando que cada grupo joga na conformidade dos seus propósitos, descomprometido com o social, o coletivo. Personalidades da politica nacional fazendo valer as vaidades individuais, buscando alcançar resultados que satisfaçam seus projetos, sem a preocupação com as necessidades populares.

A tormenta assusta a todos nós cidadãos comuns, mas parece não afetar o sentimento de responsabilidade dos que têm obrigação de dar rumo a esse barco que precisa vencer os mares bravios que oferecem risco iminente. O pior é que tem muita gente trabalhando para produzir o incêndio, querendo ver o circo pegar fogo.

Enquanto formos vinculados a essas paixões políticas que estimulam as divergências, estaremos distantes de alcançar o ponto da unidade nacional. Se o nó político não for desatado, estaremos condenados a rumar em passos largos para o precipício. Mas isso pode ser uma preocupação nossa, entretanto nunca será dos que fazem da política profissão, pois não saberão sobreviver sem essas disputas irresponsáveis pelo poder. Para eles o ideal é que nos dividamos, como se fizéssemos parte de torcidas que se enfrentam num jogo de futebol. O consenso pode ajudar a política, mas não ajuda os políticos da contemporaneidade, claro que respeitando as exceções, não podemos generalizar. Precisamos, antes de tudo, adotar um espírito de serenidade, exorcizando o clima de beligerância que interessa a muitos.

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