Vemos o nosso Brasil enraizado e mergulhado no crime do colarinho branco e na corrupção das instituições públicas, sempre temperada abuso de autoridade e no egocentrismo dos poderosos de plantão.As malas do ex-ministro, Gedel Vieira Lima, encontradas e apreendidas pela Polícia Federal, me trouxe reflexões sobre os limites da riqueza material e da ganância existencial.

Lembrei-meda fábula árabe do Clube dos 99que, metaforicamente mostra a pureza do ser humano corrompida pelos bens e pelo poder, fazendo com que passemos a vida buscando o que não precisamos, precisamos de pouco para viver.

A celebre peça O menestrel do escritor William Shakespeare, traz ensinamentos simples para a vida cotidiana, pois “aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão” e “que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida”.

O cenário visto com as inúmeras malas escancaradas e repletas de dinheiro sujo,revela quão degradante é o vício pelo dinheiro e poder. Até onde chega a ganância do ser humano, não conseguindo retirar da cabeça o que levou a ser humano juntar, tanto dinheiro ilícito e a continuar em busca do poder.

Muitas vezes é preciso parar e refletir, com as atitudes alheias, como as malas do Gedel, pois muitos de nós fazemos parte do clube dos 99, precisando nos afastar do consumismo, lembrando precisamos de muito pouco para sermos felizes, que olhemos para os nossos familiares e amigos, além de valorizarmos o que já construímos com o suor do nosso trabalho, deixando de lado tal do “um pouco mais!”.

Finalizo com as palavras sagradas: “Eu te peço duas coisas, não mas negues antes de minha morte: afasta de mim falsidade e mentira, não me dês nem pobreza nem riqueza, concede-me o pão que me é necessário,para que, saciado, eu não te renegue, e não diga: Quem é o Senhor? Ou que, pobre, eu não roube, e não profane o nome do meu Deus.”(Provérbios, 30, 7-9)

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