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O FEIRANTE PEDRO MÔCO: Escrito Por  João Dehon Fonseca

31/07/2017 07:55

O FEIRANTE PEDRO MÔCO: Escrito Por

João Dehon Fonseca

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No mercado de Itaporanga,
Construído por Pitanga,

Tinha uma grande feira.
Durante a semana inteira
Tudo ali se negociava,
Mas, no sábado estourava,
E ninguém vendia pouco,
Segundo o Pedro Môco
Bom vendedor arrebentava.

Vendedor de picolé,
Devoto com muita fé,
Da virgem da Conceição,
Viajava todo o sertão,
Com um isopor do seu lado,
Em qualquer carro apertado,
Negociava em toda feira,
De sábado a Sexta-Feira,
Seu negócio era o apurado.

Dividia com Firmino,
Que não era nem um menino,
De besta só tinha o queixo,
E para não sair do eixo,
Dessa história aqui presente,
Pedro Moco eficiente,
Chegava sempre primeiro

Quando o caso era dinheiro,
Nunca ficava pendente.

Maria era a sua esposa,,
Valente que nem raposa,
E Pedro não tinha amante,
Fez feira em Diamante,
Em Boaventura também,
Conhecia muito bem,
Toda aquela região,
Fez feira em Conceição,

E em Ibiara mais de cem.

Em todo canto vendia,
Grande era a freguesia,
Uma clientela esperta,
Pedro sempre foi poeta,
Vendia e fazia verso,
Seu estoque era diverso,
Estava sempre animado,
E dentro de um mercado
Não tinha tempo adverso.

Olhe aí o picolé de goiaba

Tem de manga e de mangaba,
Não fique parado aí,
Tem de maracujá e abacaxi
Chupe um e se deleite,
Tem picolé até de azeite
Foi feito com o coração,
Ajudem o meu patrão,
Seu nome é Firmino Leite

Pedro nunca estava só,
Andou o Vale do Piancó,
E sempre botava banca,
Fez feira em Pedra Branca,
Em Curral Velho e Boqueirão,
No Aguiar foi com o irmão,
O Motorista João Moco,
Que nunca correu pouco,
Andando pelo Sertão.

No mercado de Coremas,
Na feira livre de Emas,
Pedro Moco fez história,
E vai ficar na memória,
O jeitão como ele era,
Vendia na primavera,
Numa feira uns quinhentos,
Noutra ia prá seiscentos,
O feirante era uma fera.

Mas todo bom caçador,
Do mesmo jeito vendedor,
Tem o seu dia caça,
E eu não vou fazer graça,
Pois Pedro era um cara bacana,
E foi em São José de Caiana,
Que nosso amigo se deu mal,
Foi uma coisa desigual,
Com picolé de Caldo de cana.

A feira era no Domingo,
Na cidade ia ter um bingo,
Pedro pensou: vou bumbar,
Não quis em nada pensar,
Mas ele ia ter um tédio,
No mercado dentro do prédio,
A propaganda começou,
Mas logo se decepcionou,
Num vendeu nem pra remédio.

Quando terminou o dia,
Com raiva e agonia,
No carro de Nonato entrou,
E esse lhe perguntou,
Você que é um homem de fé,

Isso eu sei que você é
Responda em um segundo,
Vendeu mais que todo mundo,
Num restou um picolé.

Pedro Moco meio irado,
Por estar sendo gozado,
Não contou nem até três,
E nem pensou duas vez,
Para explicar uma feira ruim,
Do começo até o fim,
Ele olhou para Notado,
E para explicar o fato,
Ele explicou bem assim:

“Paralisia e boca torta
Vizinho ruim em sua porta,
Dor de dente a noite inteira
Coice nos ovos e cegueira,
Morar na boca de um vulcão,
Fazer sociedade com o cão,,
Um tumor no meio da bunda,
Doença venérea imunda,
Uma virada de caminhão,”

“Uma dor no Coração,
Uma lesão no pulmão,
Depois morar com Caim,
Dar o cu ao um guaxinim,
Em qualquer partido de cana,
Brigar com uma suçuarana,
Morrer de uma caguanheira,
É melhor do que dar uma feira,
Em São José de Caiana.”