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O COROINHA: Escrito Por Rui Leitao

1/05/2019 20:05

O COROINHA: Escrito Por Rui Leitao

Talvez influenciado por um dos nossos vizinhos, Carlos Antônio, filho de Seu Almeida e Dona Ivonete, passei a freqüentar a Igreja do Rosário na condição de “coroinha”. Tinha em torno de dez a onze anos de idade.

O “coroinha” é a forma como são chamados no Brasil os acólitos não instituídos. Aqueles que auxiliam o sacerdote católico nas cerimônias religiosas. Antes apenas os meninos podiam exercer esse tipo de atividade. Em 1994 o Papa autorizou que as meninas pudessem também assumir essa função, sendo denominadas de “clarissas”.

Naquele tempo as missas eram rezadas em latim, conhecidas como “missas tridentinas”.. Então éramos obrigados a decorar tudo para responder, sem que entendêssemos absolutamente nada. Nem nós, os coroinhas, nem os fiéis. O padre se postava de costas para o público, de frente para a cruz do altar, o que não acontece mais hoje. A partir de 1962, por decisão do Concílio Vaticano II, as missas passaram a ser celebradas no idioma próprio de cada povo.

Acordava cedinho, por volta de cinco da manhã e caminhava sozinho até a Igreja do Rosário. Se fosse hoje os pais não permitiriam que uma criança de dez anos fizesse isso. Não havia se estabelecido ainda o clima de insegurança que reina nos tempos atuais.

Quem comandava a sacristia era um senhor muito simpático conhecido como Frei Inácio. Quando chegávamos lá, ajudávamos inicialmente no toque dos sinos que convidava os fieis para a Missa. Eram cordas pesadas. Eu tinha muita dificuldade em usá-las. Vestíamos uma túnica de cor vermelha, sobreposta por outra de cor branca. Sempre em número de dois seguíamos o padre até o altar e lá cumpríamos todo o ritual definido pela Igreja para a liturgia da Santa Missa.

Ali foi despertada a minha vontade de abraçar a vocação sacerdotal. Assunto que tratarei mais adiante.

• “INVENTÁRIO DO TEMPO II”, livro em construcao.

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