Ainda menino, ouvia da casa dos meus pais o barulho dos possantes caminhões chegando a capital para carregar a lona inteira, da ferragem que sustentava o palco do circo, com seus animais e artistas, bem ainda, uma animada bandinha de música, que saía pelo centro da cidade, e também espocando foguetões para chamar a atenção de todos. Eu descia a ladeira da rua onde morava com meus familiares, e pedia aos meus pais que pagassem o ingresso da novel festa, comandando pelo palhaço debochado, finalmente, envolvendo animais e artistas… Aliás, circo bom sempre começava pelos macacos, leões, elefantes, tigres, cavalos e pôneis que circulavam ao redor do picadeiro inteiro, e a gente batia as mãos aplaudindo, numa noite esplendorosa de alegria e regada de pipocas, algodão doce, cachorro-quente e refrigerantes.

 

O que eu via era as grandes e maltratadas gaiolas forjadas por barras de ferro, levando em seu interior grandes animais ferozes das longínquas e perigosas terras africanas e seu desespero. Era o circo inteiro que chegava, com seus palhaços de vestimentas de corres vibrantes e chamativas, a correrem aos tropeços planejados com seus sapatos pontiagudos, com o intuito de angariar os sorrisos e aplausos dos espectadores, preparando a arquibancada para os malabaristas, os mágicos, contorcionistas e as feras sob o comando do chicote do seu domador, resultando na satisfação do povo local.

 

Vem desde os meados do século XX, era herdada da “nem et circesespae”, desenvolvida durante a Republica Romana e o Império Romano, onde apresentavam a pura medida de manipulação das massas, praticada pela aristocracia que incentivava de peito aberto! Os romanos, daqueles tempos remotos, alcançando a Roma antiga, aparecendo com o grande recinto alargado do circo que trazia pessoas, se apresentando igualmente assim, como o teatro e o anfiteatro, a trilogia de instalações de cultura e divertimentos plenos. Tudo se dava em um recinto alargado, destinado a divertir o povo, com a diferença da atualidade, quanto ao que era apresentado, pois era espaço destinado a corridas, espetáculos e representações que comemoravam os acontecimentos do então Império.

 

Foram os circos daquela época, onde se faziam batalhas e algazarras, corridas de cavalos especiais e muitas outras diversões, em locais ambientados, ornados com preciosas colunas e estátuas, a exemplo dos obeliscos comemorativos. Foi assim, que o povo daquele século restou “pão e jogos circenses”, e a plebe dava atenção somente aos prazeres da comida e ao pão, sem saber o que seria política e administração do povo descrédito.

 

No nosso Brasil, ainda hoje, os poderes constitucionais nada fizeram algo que pudesse socorrer os pobres da insegurança, de poucas escolas e universidades públicas, do frágil e esquelético sistema de saúde, da penosa seca nordestina e, sempre, movidos contra a economia supérflua, com olhos nos cofres fazendários. Miséria de planos populares desviam para o circo petista e de desvios de atenção, se afastaram das instalações de rua ou, biscoitando terrenos baldios dos governos, tornando-se o entendimento de tal politicagem, se torna de vital importância para que a história memorável resolveu logo: circense Pão e Circo seja entendida como um todo e não somente a partir de uma única visão.

 

www.reporteriedoferreira.com  MARCOS SOUTO MAIOR (*) Desembargador

Marcos Souto Maior é advogado, professor de direito, ex presidente do Tribunal de Justiça da Paraiba, Ex secretario de Cultura, Esporte e Turismo, ex secretário de Serviço Social, ex diretor do Unipê e Desembargador aposentado.