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NÃO BASTA SER CANDIDATO: Por Lena Rolim Guimarães

22/08/2019 19:40

Eleições nunca são iguais. Sempre existe um fator – as vezes racional, outras emocional – que influencia mais os cidadãos. Que o diga Jair Bolsonaro, que em momento de profunda crise ética no Brasil conquistou o cargo político mais alto do País praticamente sem fazer campanha, a partir de um discurso que condenava a corrupção e que ganhou força extra com o atentado que sofreu.

Independente se no País ou em um pequeno município, sempre é possível identificar o que move o eleitor; difícil é alterar uma tendência quando estabelecida. Assim, largar na frente sempre garante vantagem competitiva, e faltando pouco mais de 13 meses para o dia decisivo de 2020 – a votação ocorrerá em 4 de outubro – quem tem condições já está procurando cair nas boas graças dos cidadãos.

Em Campina Grande, já testemunhamos vários movimentos públicos, sem falar que há intensa atividade nos bastidores do lado de Romero Rodrigues, que foi reeleito em 2016 com o apoio de 12 partidos, e vários deles também estão de olho na cadeira de prefeito.

O primeiro a cobrar apoio foi o deputado Manoel Ludgério (PSD). Na sequência, o prefeito troca o PSDB pelo PSD, o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) diz que seu nome está posto, enquanto o secretário-chefe de Gabinete, Bruno Cunha Lima (sem partido) reafirma que deixará o cargo em breve para concorrer à sucessão municipal.

Por enquanto, PP, PRB e PSC, por exemplo, só acompanham. Sabem que têm o poder de descompensar ou reforçar qualquer projeto, como aconteceu em 2016, quando após uma série de disputas equilibradas, Romero Rodrigues foi reeleito com 62,85% dos votos, no 1° turno, e enfrentando aquele que é o líder da oposição na cidade, o hoje senador Veneziano Vital do Rêgo, que atingiu apenas 24,34%.

A secretária estadual de Desenvolvimento e Articulação Municipal Ana Claudia, esposa de Veneziano, é apontada como o mais forte nome da oposição campinense. O PSL de Jair Bolsonaro e Julian Lemos cerca o empresário Arthur Bolinha, que já passou pela experiência, isso sem falar nos que ficaram animados com a possibilidade de fazer campanha com o rico fundo eleitoral público.

Não tem nenhum manco nessa corrida. Não ha pressa na largada, mas estratégia para consolidar imagem. Não basta ser candidato, é preciso ter apoios.

TORPEDO

“Tem duas formas de ser candidato: ou você é feito candidato, é ungido, ou você se faz candidato e eu vou me fazer candidato. (…) Romero não quer um subordinado, ele quer um aliado, por isso ratifico minha pré-candidatura”. Do ex-deputado e secretario Bruno Cunha Lima, reafirmando intenção de disputar a sucessão de Romero Rodrigues em Campina Grande.

A quarta…

O MPPB formalizou a 4ª denúncia da Calvário. O alvo: o ex-procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, acusado de concussão (exigir vantagem indevida para si ou para outrem, em razão de função pública).

… denúncia.

Carneiro também vai responder por ocultação de bens juntamente com o motorista Geo Luiz de Souza Fontes. O MPPB pede decretação de perda de cargo, emprego ou função pública e reparação do dano causado.

Peculato

Já a ex-prefeita de Sapé, Maria Luzia do Nascimento foi condenada a 8 anos e 4 meses de reclusão por peculato. Teria desviado dinheiro público para campanha eleitoral. Vai cumprir inicialmente em regime fechado.

No bolso

O ex-prefeito de Catingueira, José Edivan Félix foi condenado a 3 anos, 9 meses e 15 dias de reclusão por desvio de verbas em proveito próprio. Levou R$ 116.991,94 segundo sentença do juiz Rúsio Lima de Melo.

A forma

O senador Veneziano disse no Correio Debate que foi a forma como trataram a mudança no comando do PSB que causou a crise no partido. Acha que se Ricardo tivesse pedido o cargo, não teria havido resistência.

Patos

Após duas renúncias, o cargo de prefeito de Patos em exercício continua cobiçado. Hoje, a Câmara deve escolher entre Tide Eduardo e Ivanes Lacerda (MDB), Edjane Barbosa (PRTB) e Capitão Hugo (Podemos).

Zigue-zague

Na 63ª fase da Lava Jato, ontem, foram encontradas na casa do genro de Emílio Odebrecht as chaves criptografadas para acesso a Planilha do Setor de Operações Estruturadas.

Até aqui, segundo o delegado Luciano Flores, a PF só teve acesso a parte não criptografada, que provocou tsunami no meio político. O que virá por aí?