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“MARIA VAI COM AS OUTRAS”: Escrito Por Rui Leitao 

4/05/2019 17:48

“MARIA VAI COM AS OUTRAS”: Escrito Por Rui Leitao

No Início do século dezenove, quando a família real portuguesa veio para o Brasil, a rainha Maria I, mãe de Dom João VI, que era também conhecida como a “rainha louca”, costumava passear às margens do rio Carioca. Nesses passeios ela sempre tinha ao seu lado algumas “damas de companhia”, em razão de sua maluquice. Nunca andava sozinha. Não sabia nem para onde a estavam levando, por conta de sua doença mental. A ausência de juízo fazia com que se deixasse levar pelas acompanhantes para onde fosse guiada. Daí nasceu o ditado popular “maria vai com as outras”.

Com o tempo essa expressão passou a definir as pessoas facilmente influenciáveis, sem personalidade, caráter ou opinião própria. Muita gente prefere agir conforme o vento a leve. Não tem a preocupação de raciocinar, ter ciência dos verdadeiros motivos que a impulsione nas ações. Pensa e faz o que a maioria determina. E assim se imaginam atualizados, politicamente corretos ou engajados em movimentos. Se forem questionados não saberão responder a causa de seu comportamento.

Alguns assim se portam por inocência, ignorância ou despolitização. Aliando-se à aparente maioria, podem passar a impressão de que têm consciência política. Têm medo de discordar, de serem diferentes, para não parecerem “os do contra”.

Outros gostam de acompanhar a “onda”, “entrar no clima”, “fazer a festa”, sem saberem absolutamente nada do que estão fazendo. É o que se chama de “massa de manobra”, “inocentes úteis”. O jornalista e comentarista político Walter Limpmon, fala que “quando todos pensam o mesmo, ninguém está pensando”. O que equivale dizer que conscientemente sabemos o que estamos fazendo. Abraçar uma causa por idealismo de quem tem convicção do que quer e do que deseja conquistar.

Quem concorda com tudo o que lhe falam, não tendo nunca opinião própria, é o que na linguagem popular chamam de “maria vai com as outras”.

Ontem, nas redes sociais, fui alvo de ataques raivosos de um parente por quem sempre tive elevada estima, que não se conforma com meu pensamento político. Fui acusado de me “achar o todo poderoso” porque emito minhas opiniões nos “artiguinhos” que costumo escrever e publicar por aqui. A minha resposta é exatamente esta: não consigo ser um “maria vai com as outras”. Não abro mão de pensar por mim próprio, mesmo que isso desagrade pessoas por quem tenho apreço.