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Elefantes brancos – Marcos Souto Maior

1/04/2013 21:47

marcos soutoEm meio à semana santa, onde buscamos a presença alegre do coelhinho da páscoa tem outro bichinho de enorme estatura e conotação albina, mantida pelos monarcas do Sudeste Asiático. É muito antiga esta tradição milenar dos marajás conforme a história asiática, quando a mãe de Buda tivera um sonho, na véspera de parir, onde visualizou um elefante branco que fora presenteando com uma flor de lis.
Sendo tratado como um respeitado símbolo, os bichos medem dois metros de altura, cinco metros de comprimento e quatro toneladas de peso e, podem chegar até cem anos de vida. Por ser sagrado, o elefante não pode trabalhar, a exemplo dos demais animais, bem ainda, se fosse presenteado, ficava impedido devolver, vender ou sacrificar.
A manutenção do bichinho de tromba é caríssima, sob o peso de ser considerada divindade, daí o infeliz proprietário ter de mimar seu animal símbolo, esnobando o troféu de uns poucos privilegiados do mundo.
Em outro nível, a utilização dos elefantes brancos significa obras públicas superfaturadas e de pouca serventia. Verdadeiras obras arquitetônicas mirabolantes, desenvolvidas pelo capricho de quem gasta o que não lhe pertence. São também discutíveis os valores despendidos e a sua utilidade.
Tempos atrás, convivemos com uma grande pressão popular, em cima do Governo Federal, para custear a maior parte das construções de grandes estádios de futebol, em inúmeras cidades do país.
Aproveitando o desempenho do selecionado brasileiro, serviu de forte argumento para incentivo aos governadores e prefeitos da época, justificaram em Brasília a febre alta por novos estádios de futebol, a partir de 1970, sob o bafejo do governo militar.
Mocão, estádio que seria construído na cidade mineira de Montes Claros, faz cerca de quarenta anos que não passou do gramado e o pontapé inicial. Na Paraíba, exageraram na dose e ousaram construir dois estádios: “Almeidão” na capital do estado e, “Amigão” em Campina Grande que nunca foram concluídos. Em Sergipe, o “Batistão” chegou a ser concluído em 1970, e o abandono levou a marquise do lado oeste desabar e, por pouco, não houve uma catástrofe. Manter estádios é proporcionalmente parecido como manter elefantes brancos!
Para o futuro próximo, o IDEE – Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte elaborou relatório das novas arenas futebolísticas, previstas para 2014, atribuindo problemas nas construções do estádio Nacional de Brasília, da Arena Amazônia em Manaus, da Arena Pantanal de Cuiabá e do Estádio das Dunas de Natal. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, levou a denúncia na graça: “Ademais, elefante não faz parte da fauna brasileira!”.
Sem qualquer passagem pelo esporte, o deputado Aldo Rebelo, relatou o nosso Código Florestal e, talvez por isso, tenha debochado do relatório gratuito do IDEE.
Quem viver verá, e sempre teremos elefantes brancos na pública realidade brasileira eternizada pela deformidade da maneira de administrar!