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DESALENTO: Escrito Por Rui Leitao

29/05/2017 18:17

DESALENTO: Escrito Por Rui Leitao

O que vem a ser o desalento? É um estado de melancolia, abatimento, tristeza. Chico canta esse sentimento, na voz de alguém que chega quase ao desespero pela perda de um grande amor. O “eu lírico” manda um recado para a mulher por quem sofre a ruptura do relacionamento, suplicando pela sua volta. A canção foi composta em parceria com Vinicius de Morais e gravada em 1970.

“Sim, vai e diz/Diz assim/Que eu chorei/Que eu morri
de arrependimento/Que o meu desalento/Já não tem mais fim”. Ele decide enviar uma mensagem aflitiva para a ex-namorada. Fala que vive permanentemente em prantos, sentindo a sua falta. Revela-se um arrependido, como se confessasse que teria sido ele quem deu causa ao rompimento da relação amorosa. Sofre com o estágio de abatimento a que se encontra submetido desde que ela partiu. Esse pesar parece infinito.

“Vai e diz/Diz assim/Como sou Infeliz/No meu descaminho/Diz que estou sozinho/E sem saber de mim”. Pede a um amigo que transmita para ela o seu infortúnio. A sua sensação é de que perdeu o rumo da vida. A solidão parece ser um castigo que lhe está sendo imposto, e isso lhe deixa muito mal. Chega ao ponto de se desconhecer nesse desconsolo.

“Diz que eu estive por pouco/Diz a ela que eu estou louco pra perdoar/Que seja lá como for/
Por amor, por favor/É pra ela voltar”. Toma a decisão de comunicar, em situação de extremo tormento, que, sem ela, esteve a ponto de cometer uma loucura. Perdeu a capacidade de pensar racionalmente, foi atingido pela insanidade. Está disposto a perdoá-la pela determinação em lhe deixar. Seu desejo maior é que ela volte, não importa com que sentimento. Se não for por amor, que seja apenas por consideração, por não querer parecer indiferente a esse seu pedido de clemência.

“Sim/Sim, vai e diz/Diz assim/Que eu rodei/Que eu bebi/
Que eu caí/Que eu não sei/Que eu só sei/Que cansei, enfim/Dos meus desencontros/Corre e diz a ela/Que eu entrego os pontos”. Resoluto, pede ao mensageiro para narrar todas as suas agruras. Contar do quanto ele se sente perdido, entregue à bebida, numa amargurada sensação de mal-estar e de pessimismo. Implora ao amigo que comunique que não sabe mais o que fazer, os desencontros ora experimentados estão lhe deixando fatigado, sem esperanças de que a chama do amor possa reacender no seu coração, a não ser com ela. Por fim, conclui: ela precisa saber que ele “entregou os pontos”, não adianta negar que está dominado pela desânimo. Lança seu último apelo para tê-la de volta em seus braços.

www.reporteriedoferreira.com.br    • Integra a série de crônicas “UM OLHAR INTERPRETATIVO DAS CANÇÕES DE CHICO”.